18.3.09


Como se nada mudasse…

O Sol nasce todos os dias de forma diferente, o vento nunca nos beija com a mesma vontade nem com a mesma força, os dias nascem e morrem, sempre com indesmentíveis personalidades que os tornam únicos, até os nossos dedos têm uma marca que os distingue a todos, porém, eu quero que tudo se resolva na imutabilidade de um querer, de carregar até ao fim dos dias, como se nada mudasse, como se os cabelos e as rugas não se mexessem, que fôssemos sempre nós de forma permanente.
Quando digo quero, quero que se decrete a vontade na posse da minha absoluta autoridade, da minha independência, do que é meu – um meu de propriedade, registo de notário, força de lei – da minha própria lei. Travestido da exigência, sem perfumes, que o sabão azul e branco chega, mesmo que me queiras sorver a alma com um pequeno sorriso..
Peço como se desse ordens, declaro as opiniões, regalado no meu próprio silêncio, na minha cegueira. Vejo a todo o mundo e não me vejo a mim próprio. Sou mais cego que o obscuro breu dos becos onde nunca entrou um raio de sol..
Abro os olhos, esforço as pupilas, e apenas tu podes ser meu reflexo, meu lago calmo e vítreo que acompanha os meus movimentos, que me serve de eco e me fere os ouvidos. Antes me calasse. Antes te ouvisse e respondesse a mim próprio com a verdade dorida das feridas que não me cicatrizam.

6 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
frAgMenTUS disse...

Quando algo ou alguém é tatuagem em nós, parece realmente que não muda, é como se fosse fragmento de´eternidade e mesmo que tudo à nossa volta mude, esteja em constante mutação.

Mas a tua poesia é intensa, para mim, não muda na qualidade!

Escreve mais, amigo.

Bj grnd luz e paz

ParadoXos disse...

"Sou mais cego que o obscuro breu dos becos onde nunca entrou um raio de sol"


palavras cheias de sugestão - poema em poesia depurada!


abraços

Summerparis disse...

Obrigada Jorge =)

ลndreia disse...

Também tenho que ir tratar dos meus pézinhos... *

Vanda Paz disse...

Todo o luar é diferente embora a lua seja sempre a mesma.

Toda a escrita é diferente, mas a tua é impar

beijinhos