21.7.15

Onde andas

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onde andas
que é feito deste curto espaço
onde mora este mundo pequeno
onde nunca estás
onde nunca te toco
onde andam as nossas conversas
e a sensação dos risos intermináveis
que nos deixam exaustos
felizes
onde andam os poemas que me prometeste escrever
e as ruas deixadas sós
para nos recolhermos
na beira do teu colo
e despedirmos a noite entrelaçados
não há bancos de jardim perfeitos
incólumes
e o teu rosto
tem a textura dos viajantes apressados
mudos
agora mesmo que passas
e tanto queria saber de ti
e das palavras que te deixam nua
e do teu corpo pleno
como um imbondeiro
num qualquer sítio
ao fim duma tarde estival incandescente
onde andas
agora que todos os anos se gastam depressa
e tu
resplandeces bela
inenarrável
como um abrir de manhã
na varanda mais ao sul
onde
senão neste peito cavado
a terra se junta
e germina em cada dia
por este amor que ainda não sei dizer de ti.


18.7.15

Momento

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apaziguo a alma
no final das tardes tranquilas
na serenidade dos teus braços
frescos
neste sabor inesquecível
de nos pertencermos e ficarmos os dois
quando se desprende este silêncio sedutor
quebrado pelo toque dos meus lábios
no teu pescoço
pelo murmurar do teu desejo no meu ouvido
e ainda assim por aqui ficarmos
pois o olhar vai para além do sol
que se deita ao longe calmamente
como as notas da melodia mais bela
como os teus pés entrelaçados nos meus
como o cheiro dos teus cabelos
perdidos no meu rosto
desta memória que pára o tempo
e nos deixa abraçados
nos deixa vivos.

12.7.15

às vezes

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Às vezes são apenas imagens desfocadas que me aparecem à cabeça, cheias de música, cheias de movimento, inexplicáveis, como se ficasse à beira de qualquer sítio surpreendentemente belo, e extasiado nem um múrmurio nascesse.

Às vezes são palavras nítidas, transparentes, derramadas no papel como vinho numa toalha alva, que se espalha inexorável.

Às vezes é um silêncio do tamanho das noites grandes, onde cada som se amplifica até ao momento em que um raio de sol me resgate.

Às vezes sou só eu sentado diante de mim, explicando e voltando a explicar aquilo que deveria contar de outra forma para que me entendesse.

Às vezes faltam-me as pontes e as estradas que me ligam a outros continentes, a outras mãos, a outros abraços, ou a um momento perdido que nunca foi mais que um desejo construído, que bem visto depois, não passa do momento da euforia, das prendas abertas, dos papéis pelo chão.

Às vezes para ser feliz, bastaria ser apenas um ponto olhado do espaço, uma manta e um livro e um lugar onde me possa deixar estar, e onde tu me visses que há tanto tempo me deixaste.

Às vezes, o conforto desconforta.

As vezes é apenas fechar os olhos e ver-te, e saber que dizer-te tudo, é pedir-te um beijo e os teus braços, e dos teus braços, vir um beijo do fundo da carne dos teus lábios, e um caminho onde o meu corpo se chegue ao teu, tão intenso que por lá me deixasse estar até ao fim de cada história, de cada livro.

Às vezes, já nada faz sentido, nem sei se os poemas se devem guardar, quando os digo olhando-te a direito. Às vezes dou por mim pensando que às vezes, a vida tem tanto para não ser só às vezes. Tantas vezes como as vezes que não sei estar contigo.

Por te saber

 














Por te saber aí
onde tudo pode ser azul
da cor do fundo dos teus olhos
é por aí que eu declaro
que é aí que quero chegar
ainda que a morte se anuncie
ou os ventos soprem na fúria das tardes
quando o norte desgraçadamente se enfurece
é aí que o som do teu beijo se revela
e que as páginas passam devagar
quando leio o teu sorriso
e navego em cada pedaço das palavras
com que me dizes
que me amas
por te saber tão perto
é que às vezes tudo se torna longe
e a memória me tapa os olhos
e me confunde os trilhos que apontam o destino
e cada passo
tem o som abafado da angústia
dos relógios que se movem
acelerados
e das vírgulas que desmancham os textos
construídos
por te saber
é que os dias brilham sempre tão intensos
e as expressões de todos os homens
não são carregadas nem leves
são apenas expressões
inventadas
e todas as caras das crianças com que me olho
são manhãs a renascer
são a ponte que me faz chegar
é por ti
que faço e desfaço esta mala pequena
companheira dos meus tempos
do papel e da caneta
e de um lápis aguçado
que desenha o teu nome em cada canto
das mesmas folhas
onde me ponho a falar de ti.

3.7.15

talvez


 













se eu pudesse andar por este céu
feito nuvem
e abraçasse a lua
por entre os raios que o luar
derrama
talvez te pudesse ver os olhos
e perceber onde andam os teus sonhos
se o mar fosse apenas este lençol azul
tranquilo cor de prata
que a noite devolve
à minha insónia
e a água me deixasse ser um peixe
tranquilo
ágil
talvez chegasse à tua praia
quando o inverno se despede
e te pudesse ver
cheirando esta maresia infinda
que te traz o conforto
das mantas onde me abraçaste
e fomos um corpo quente
lava vermelha em fusão
se eu crescesse por detrás das montanhas
e tivesse a coragem das avalanches
e derretesse o gelo
que o teu coração me oferece
podia avistar do alto
esse pequeno ponto
janela
onde pousas os braços
e esperas
que entardeça
para beijares a noite
e dizeres à lua
que não me viste...

29.6.15

Teu lado


 












sou desse teu lado

onde a vida se transforma

todos os dias

como as flores nascidas nas telhas

nesse teto que nos abriga

e nos dá a cama

onde o desejo se deita

e nos comtempla amando

sou desse teu lado

onde te sinto a respirar

onde dói a ausência das minhas mãos

na tua cintura

desse teu lado

onde as tardes se passam na aventura

dos nossos lábios falando

sobre coisas vulgares

há nesse teu lado meu amor

o destino do mundo

das decisões vulgares que nunca nos

dividem

que nunca nos deixam iguais

esse teu lado

que é ao meu lado

quando não dás conta das minhas lágrimas

livres felizes

escorrendo pelo rosto

de poder olhar-te

daqui deste lado

do teu lado.

4.3.15

Inverno

nem sei porque os poemas ainda nascem
depois do inverno se assentar
quando as aves sacodem as penas nos ramos nus
e os alpendres acordam gelados tranquilos
nem sei o que faço na beira desta casa
nos olhares fixos pela tua porta cerrada
ainda ontem disseste adeus
ainda ontem o teu beijo ficou guardado
no sorriso perdido recusado
na ocupação dos desejos
por outros gestos serenos controlados
nem sei porque me envolvo
nos novelos duma esperança desenrolada
onde me visto de camisolas de enxoval
desta intempérie onde assentam os nossos dias
talvez talvez
haja um sol matinal a brilhar
talvez amanhã sejamos os dois
                                                                 a acordar no meio do inverno
                                                                 com uma caneca de café e uma manta partilhada
                                                                 mesmo num alpendre gelado
                                                                 mesmo num poema já seco
                                                                 onde ainda haja um beijo a resgatar
-->

14.2.15

Notas presas




















as notas (as palavras) tocam afinadas
as frases falam do assunto de todos os meus dias – de ti
pela janela a chuva diz-me que estou bem aqui dentro
a música fala comigo
aquece os meus dedos
mesmo que fujas
mesmo que deixes o meu ombro se encostar ao teu
as histórias que eu invento e procuro
são tão diferentes das tuas
as ruas levam mais água que gente
e os candeeiros parados
foscos
alumiam a noite dos teus olhos
desta distância cavada entre nós
do que quero dar e no que arriscas aceitar
eu poema e tu prosa
eu baile e tu dança
eu onda e tu mar
eu beijo tu um corpo inteiro
na inocência das amizades rejeitadas
que a paixão não sabe conceder
deixa que o meu murmúrio se levante
e que os lábios trementes balbuciem
que é de ti que sempre falarei
mesmo que as notas (as palavras) se calem desafinadas.


12.2.15

Histórias de amor


Histórias de amor

 












encontro-me contigo
no meio das coisas que não são nossas
sem ramos de flores acabados
o sol nasce vagamente
ocultos dos teus olhos irradiando estrelas
intensos
amo a tua pele
falo com ela a linguagem muda
as paixões perenes
são gargalhadas sisudas de quem anda pela vida
e os impulsos travam as mãos de quem te quer toda
e se dá
a tempo de se preservar e se deixar despir
somos e deixamos de ser nus
como se tudo viesse do nada
e do nada tudo viesse
se apenas tudo fosse como no poema
e pudesse proclamar a cada pedaço do teu corpo
o meu amor
e a tua cabeça se aquietasse no meu peito
dizendo que me queres
as histórias perder-se-iam
e voltariam a achar-nos quando não as quiséssemos contar.

Amo-te


 
















Amo-te pela simples razão de me perder em ti
Amo-te porque em ti me encontro
Amo-te pela profundidade dos teus olhos
Amo-te nas nossas linguagens cúmplices escondidas
Amo-te sem saber quanto isto representa
Amo-te sem saber como isto diz mais que aquilo que digo
Amo-te no toque gentil
Amo-te no desejo negado do teu beijo
Amo-te imaginando-te nua
Amo-te na minha cama
Amo-te mesmo nos dias em que te esqueço que te vi ao longe
Amo-te como se tudo bastasse
Quando te amo

29.1.15

Não sou daqui


 













não sou daqui,
o meu corpo é empecilho
nesta viagem
só os sonhos me sustentam
a visão regular dos amanheceres
de todos os dias que chegam e vão
repetidos, certos
dão respostas por trás da porta
não posso
já é tarde
venha depois
é do que não tenho que sigo
por onde não sou
do que ainda não fui
de ti
de cada poro teu que ainda não me pertence
e dum beijo macio
que não me entregaste
que as coisas pequenas não me movem
como, bebo, como se o amanhã
não pudesse chegar
e apenas o teu corpo
me sacia
e esta fome que tenho
soubesse aos teus seios
e ao cheiro desse teu cabelo
preso nos meus pulsos
quando te amo sem saber se amanhã
serás ainda minha
não sou daqui
desta cama vaga longa e branca
não sei onde pousar os pés
nem deixo marcas no teu tapete
sei que sou da viagem
e dos dias incertos
sou daqui
deste poema
que só sabe falar de ti.

17.1.15

Ouvir de guerra











oiço o troar de cada palavra metálica
como um obus
ou uma matraca
oiço e não entendo
quantos jazem no chão de cara desfeita
membros perdidos decepados
oiço gritos frescos adormecidos
as casas destronadas
antigos reinos
onde já não reinam as brincadeiras legítimas
das idades
dos que serão sempre senhores
das razões soberanas
e das verdades maiores que os olhos
avermelhados roxos
dos panos de gaza
da Manchúria e dos desertos
onde corre o sangue fresco
das gentes de pé
e dos que impõe o silêncio
aos que se prostram no sim
mesmo que o não lhes traga outro sol
para que as lágrimas não corram
na tua face meu amor
e me dês um sorriso de manhã

28.12.14

Excomungado


















Há em ti
um pequeno pecado que me torna
excomungado
um desejo abençoado
como semente lançada ao teu corpo
que não me deixa repousar
desta noite quente onde transpira o meu peito
como um eterno fio de água
que se torna mar imenso
sempre uma vastidão para além de ti
onde já não posso chegar
um azul transparente rebelde
da cor que já não importa
como se outra cor fosse ou importasse
hoje que as minhas mãos me deixam esquivo
ao teu toque
ao teu aprender
de não me quereres
das mãos perdidas
apartadas
das escolhas simples
das minhas
onde longe navegas
e não te sei alcançar


30.9.14

AMOR DE TODOS OS DIAS















Na placidez dos beijos enfurecidos
pergunto-me a que sabem os teus
senão à tua boca
a que cheiram
senão à carne da tua língua
abraçando a minha
nem será importante que o saiba
hoje
quando soluças ou estremeces
nos teus orgasmos plenos
férteis
os nossos corpos encontrados a meio do outono
simples
nús
como sempre serenamente me soubeste fazer feliz
e por isso sempre a ti volto
sempre de novo desejando-te
porque os teus seios se decalcam no meu peito
e os nossos lábios têm falas próprias, destinadas
a nada dizer
se o que sentimos porventura nada diz
como as árvores que nascem onde querem nascer
como os meus dedos
no teu sexo
verdadeiro
e os teus sussurros pronunciados
que me nomeiam teu
na nossa cama
porto velho
onde atracamos no fim das jornadas
o nosso único navio
cheio das gargalhadas e dos sorrisos
junto às trouxas de lágrimas
dos dias vencidos
dos poemas feitos de olhos fechados
no calor do teu corpo exausto
contra as minhas costas suadas coladas
que me fazem teu
amovível
sem carnes nem contornos novos
que as cicatrizes marcam fronteiras
num amor sem olhos que o veja
como um poço sem fundo
onde tudo guardamos
no entusiasmante encontro veterano
dos gestos juvenis que vão nascendo
nos encontros dos dias
da velha casa
velho tecto conhecido
meu abrigo novo

meu amor de todos os dias

25.8.14

Agora

agora que o calor abranda
depois dos dias descansarem
a tarde abraça-nos
é agora que te recebo no peito
e o meu braço te circunda
quando o cheiro do teu pescoço nú
me diz o quanto nos temos
mesmo à entrada da porta
onde o chão se torna cúmplice
e o meu delírio são as tuas pernas
os gestos tremem
na gratidão do teu corpo
de cada beijo sôfrego sufocado
agora que a vida se deixa ficar sem outra razão
que não a tua blusa largada
perdida
e os meus lábios colados
em cada ponta dos teus seios
é neste momento que sei que a paixão
lê no mesmo livro
que o amor
entoando as letras
numa espécie de canto vivo
quando os olhos se fecham e tudo
vive por detrás da nossa pele
agora agora mesmo enquanto rolas por mim
agora que as tuas coxas deixam o seu sabor
em cada poro
um canto final baixinho livre
procura o teu ouvido
e murmura num agora
a única expressão que pode ser dita
sem coragem de mentir
agora somos nós
agora amamos
agora tudo vem
te dou
te recebo

2.8.14

Deixas-me












o que me deixas quando partes
para além do gosto dos teus lábios
das marcas de ti
no meu peito
o que deixas
além do cheiro do teu lenço esquecido
e dos teus poemas e desenhos espalhados pelos cantos
da casa
deixas dentro dos meus dedos
a vontade de te retomar
fazer-te mulher
na nossa cama
deixas os meus olhos tateando
nas memórias
achando-te
em cada sítio onde me beijaste
e as tuas mãos e braços
me rodearam e me aqueceram
deixas a ousadia de passeares nua
de janelas abertas
deixas a ternura das tuas lágrimas lendo
os meus dias e os meus poemas
deixas o teu sorriso
quando vestes a minha camisa da véspera
e me deixas amante
das tuas coxas longas
estupendas
o que me deixas quando partes
tem o tom dos silêncios
e uma música doce, pequena
que me sussurra
que me deixas para que te ame mais

17.7.14

Razão de te querer

















não há mais razões para que não te queira
não há mais histórias para que troque a tua pele pelos sentidos
não há mais dias de chuva para que chegue atrasado
nem as noites são longas para que tenha de voltar
fico aqui debaixo do teu corpo 
desconforme
e a imaginação é curta quando subo por ti
e deixo os meus lábios desventrando os teus
mordendo-os na angústia da fome
que faz de nós um tronco só
a epiderme é um tapete acetinado por onde deslizam
as tuas mãos de feiticeira
fazendo magia em cada contorno
deste desenho que riscamos nesta cama
enorme
gigante
onde os lençóis se amortalham
e os desejos se compõem
não há histórias de destinos
nem os teus olhos são fatalmente
fatais
apenas se ouve o sussurrar dos outros
passando sem que nos entendam
e da tua pele e da minha
há conversas que não se traduzem
quando caminhamos juntos
nos becos estreitos das Lisboas encontradas
e da sede do sol que espreita
apenas nos cantos escondidos
ocultos das sombras
onde o beijo
traz o teu corpo apertado no meu
aqui neste dia de todos os dias
a razão não existe
apenas te quero.

3.7.14

Sons e sentidos
















não quero ver os sons sem os olhar primeiro
as mulheres loucas
assustam-me
quando correm esbracejando nas
avenidas límpidas, direitas
dizendo impropérios
antes fossem homens estropiados
loucos semi – nus coléricos naturais
não quero deixar de lado o que vejo
embora dentro de mim
tudo seja tão claro
e hajam palavras antigas de que me recordo
os cheiros
e músicas que me levam pela mão
inadequados, enganos
os sons que vejo
são memórias dispendiosas
cristais pendurados
heranças de família
pressinto e não quero olhar
e quando vejo
o tempo que gasto a ver
cansa-me
e volto dentro de mim
e esta casa, minha
destelhada, sem portas
onde a esperança são dois vãos de
escada
e a entrada se faz por todos os olhos
que me vigiam
recuso ficar sentado, mesmo que o céu
esteja na beira da minha loucura
antes partir
e deixar de ouvir os meus sentidos
antes sair e trazer de novo os sons
os mais fracos aguados
como as chuvas veraneias
fruto do tempo
onde as marés mandam
e o sol nasce sem saber o que vestir
fico à beira do lugar onde sempre soube
encontrar-te
não te espero por te ouvir chegar
olho-te e sei que chegarás.

4.4.14

Solilóquio

















olho todos os que me querem
por aquilo que tenho
amo, os que me querem
por quem sou, quero-os.
desprezo o meu nome
em listas, agendas, ficheiros
dos que podem, gritam
de quem manda.
a minha vida assenta
em papel e num lápis
em poder desenhar estas letras
que me abraçam e sorvem a alma
e explicam a parte real do que sou.
reparo em tudo o que quero
nesse abraço que vem por trás da nuca
como lenço de cetim
mimando
querendo o que os outros possuem e eu já vi,
o que raramente entendo, o que eles são.
são horas demasiado longas
companheiro de mim
irmão de cárcere
sem escolha, compartilho catre e um prato
cinzento de metal, frio
de tudo o que digo, verdade e mentira
sou a solidão de todos os momentos
e murmúrios de solilóquios
onde apenas falo à minha própria paixão
e por fim deixo que o teu nome
me percorra
guardo-o como um tesouro em relicário
brilhando entre o vazio
de tudo o que não me serve.
da distância perplexa
da vontade
minha e tua e dos teus pés
para onde caminha um horizonte azul, longínquo
por um homem que sabe a saudade
na secura da boca
esvaziada.