23.4.07

No meio das minhas mãos


foto de Yan Mcline

Enroscado no teu destino,
sinto teus braços
deslizar por mim,
sorvo esse perfume dos teus cabelos,
flores livres e amarelas
nascidas do Sol,
que me trazes
nos teus sorrisos.
Sabe-me bem olhar-te
quando te deixas adormecer
sobre o meu peito
e um sorriso se estende
na tua boca
cor de cereja – aberta,
esperando pelos nossos dias.
No calar do teu sono
sou teu guardador infinito;
arranco do fosco traço de luz
que nos alumia,
a história
que as nossas vidas
haveriam de contar.
Estremeces no teu sonho,
e eu, vigil
apenas te afago
apenas velo.
que durmas,
que te quedes por aqui,
dormindo
no meio das minhas mãos,
no encanto de te ter
na sublime aparência
deste romance que não começa
nem sabe onde irá.
Dormindo no meu peito
junto do teu coração.
onde te guardo
refugiado de mim.

4 comentários:

Vanda Paz disse...

Lembro-me de uma vez me dizeres "Os poetas são arquitectos das palavras", a prova disso está aqui...
Maravilhoso este teu poema

Beijo

PoesiaMGD disse...

Não sei comentar um poema que destila saudade de uma forma tão intensa... Sei apenas quanto me agradou lê-lo! Um beijo

Vera disse...

Todos os teus poemas são marcantes. És realmente um mestre, uma inspiração, um génio!

Beijinhos enormes

Vera Carvalho disse...

Como é bom ler e sentir que as palavras se cravam no peito e se afundem no coração. Com a tua poesia isso é-me possível.
Abraços poeta:)