28.3.07

Quando chegas


Quando chegas
na surpresa de eu não te saber,
lembras a chuva
caindo sem aviso,
as marés
galgando muralhas,
o breu da noite
cobrindo num ápice
a luz já mortiça
dos finais dos dias.
Quando te chegas
a mim,
quando chegas sem notícia
tenho
a casa desarrumada
a barba de um par de dias
a mesa coberta das sobras
estragadas
as folhas
jazendo no chão,
amarrotadas,
onde já a paixão
nos derrubou,
em momentos sem retorno,
num poema por terminar.
Quando apareces
sem me dar conta,
as lágrimas soltam-se,
os sorrisos
desprendem-se,
os braços estendem-se
e só me importo de ti
no prazer inesperado,
no sobressalto,
de vires por mim.

4 comentários:

PoesiaMGD disse...

Fazer amor em cima de um poema inacabado... como completar um poema da melhor forma! Gosto desta sensibilidade tão bem pintada... Um beijo

Anónimo disse...

Cheguei aqui e colhi uma lágrima tua... arruma a casa, acaba o poema e sorri, sorri sempre.
Beijo
T

Vera disse...

E como é bom soltar lágrimas de alegria por um amor que chegou sem aviso... Ser derrubado pela paixão, enlouquecer de tanto amar!
És magnífico!

Mil beijos, com muito carinho

Vera Carvalho disse...

E que bom chegar assim sentir as lágrimas acabar em beijos e cair nesses braços abertos!
Um poema delicioso:)!
Abraço