19.2.07

Devedor

Devo-te palavras
que as cartas não sabem
conter,
devo-te o odor da tristeza
que tolhe as mãos
e nos amassa as folhas
esgatanhadas,
de rabiscos e intenções.
Devo-te este sinal
das ausências
prolongadas,
as faltas do que já não tenho
e das coisas que não escrevo
por não sentir.
Devo-te este poema
escrito no frio
mantendo-me acordado,
olhando a tua porta
que nunca abrirás
certa que não chego,
certo que não toco.
Sentados de cada um dos lados,
invisíveis,
as lágrimas manchando
esta tinta,
esborratando este amor que te devo
e nunca te pagarei.

3 comentários:

PoesiaMGD disse...

Tal como já disse, há coisas que não têm preço!
Obrigada pelo teu elogio. É claro que podes colocar o meu nome no teu blog! O link para o teu também está no meu!
Um abraço

Conceição Bernardino disse...

Olá,
“ Somos a ponte para a eternidade,
Formando um arco sobre o mar,
Procurando aventuras para nosso regozijo,
Vivendo mistérios, optando por calamidades,
Triunfos, desafios, apostas impossíveis,
Pondo-nos à prova uma e outra vez,
Aprendendo amar.”
Excerto de “Richard Bach”

É com esta força que renasço todos os dias, para continuar a minha caminhada...
Espero que gostem deste pequeno presente.
Beijinhos, que a escrita nos una!
Conceição Bernardino

http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

Tania disse...

Demorou o meu comentário e hoje confrontei-me com o que tenho andado a perder.
Sou eu que lhe devo muitas palavras. De agradecimento, contentamento e amizade.

Parabéns por este poema e todos os outros.
Beijinhos.

Tânia (Taniovtska)