29.11.06

As estrelas

As estrelas procuram horizontes
abertos
onde se possam espreguiçar e ser
camas de luz
candeeiros de uma terra
escura,
onde a noite é cúmplice
de cada raio derramado.
Nas esquinas das ruas
onde se acotovelam os bares de má fama
existe sempre um ser embriagado
conspurcando um chão de si já sujo
e onde a gente dos dias sem estrelas
nunca se atreve a passar.
As estrelas passam a noite a conversar
e no barulho que fazem
alumiando quem quer
e quem não quer
perdem aos pontos com
uma pequena rocha
amiga da maior estrela
que de noite se esconde
e deixa a lua ser o que não é.
As estrelas gastam-se em desenhos
em problemas que só as constelações
sabem que têm,
e é ver os namorados adivinharem
e nomearem,
e pensarem o que cada estrela tem,
que nunca lhe vão chegar,
- à lua já todos chegamos:
por telegrama
por TV
ou num poema que um lobo
uivando
deixou por aí
À lua, sua estrela.

1 comentário:

Vera disse...

Abençoada a tua inspiração maravilhosa que te permite fazer poemas que encantam e levam para o mundo dos sonhos quem te lê!
Obrigada por existires e partilhares a tua escrita!
Beijinhos!