
Às vezes são apenas imagens desfocadas que me aparecem à cabeça, cheias de música, cheias de movimento, inexplicáveis, como se ficasse à beira de qualquer sítio surpreendentemente belo, e extasiado nem um múrmurio nascesse.
Às vezes são palavras nítidas, transparentes, derramadas no
papel como vinho numa toalha alva, que se espalha inexorável.
Às vezes é um silêncio do tamanho das noites grandes, onde
cada som se amplifica até ao momento em que um raio de sol me resgate.
Às vezes sou só eu sentado diante de mim, explicando e
voltando a explicar aquilo que deveria contar de outra forma para que me
entendesse.
Às vezes faltam-me as pontes e as estradas que me ligam a
outros continentes, a outras mãos, a outros abraços, ou a um momento perdido
que nunca foi mais que um desejo construído, que bem visto depois, não passa do
momento da euforia, das prendas abertas, dos papéis pelo chão.
Às vezes para ser feliz, bastaria ser apenas um ponto olhado
do espaço, uma manta e um livro e um lugar onde me possa deixar estar, e onde
tu me visses que há tanto tempo me deixaste.
Às vezes, o conforto desconforta.
As vezes é apenas fechar os olhos e ver-te, e saber que
dizer-te tudo, é pedir-te um beijo e os teus braços, e dos teus braços, vir um
beijo do fundo da carne dos teus lábios, e um caminho onde o meu corpo se
chegue ao teu, tão intenso que por lá me deixasse estar até ao fim de cada
história, de cada livro.
Às vezes, já nada faz sentido, nem sei se os poemas se devem
guardar, quando os digo olhando-te a direito. Às vezes dou por mim pensando que
às vezes, a vida tem tanto para não ser só às vezes. Tantas vezes como as vezes
que não sei estar contigo.
1 comentário:
Às vezes pouco se precisa para ser feliz, às vezes, apenas quando conseguimos olhar a simplicidade daquilo que Deus nos oferece, mas só às vezes.
Abraço amigo
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