18.11.08

Luz



Quase nada brilha;
a luz permanece
ínfima,
translúcida.
Há uma palidez cinzenta
que marca a sombra
das minhas pálpebras,
um taciturno vagar
que me invade
quase me adormece..
Hoje não senti o sol
aproximar-se,
e o calor
perdeu-se
nas nuvens
que contornam os dias,
nos aguaceiros
que me fazem duvidar
da chuva que cai.
Deixo o meu relógio poisado,
pausado,
não percebo as horas
que apressam
quem nunca gostava
de ver partir,
e perturbo-me
com as vidas circulares
que sei hão-de
voltar a chegar.
O perfume que solto
contra o espelho,
e as palavras,
não têm reflexo
na minha imagem
quebrada,
indistinta.
O vento passou há pouco
falou pelas frinchas
desta casa de tapumes.
onde permaneço
vivo e inquieto,
passando as portas
que a luz há-de derrubar.

6 comentários:

nas asas de um anjo disse...

um cenário mt bem descrito, com a viva força dos sentimentos e sensações q tão bem traduzes...talvez a luz, ou falta dela, nos ande a afectar...lol...
bjs grds

Vanda Paz disse...

Bonito, muito bonito...

Beijo

Vera disse...

E que a luz derrube também essa tristeza...
O poema, como sempre, belíssimo!

Beijo

Janine Bettencourt disse...

É triste, sentido... mas a tristeza e solidão também têm uma certa beleza.
Eu gostei e senti.
Beijo da Jana

Crystal disse...

Mais uma bela viagem pelos sentires, onde as frestas deixam passar emoções que são lidas e relidas para serem sentidas vezes sem fim. Lindo!

Ni disse...

Há momentos em que não conseguimos sentir o Sol... Mas a luz é um bom caminho até lá!
Muito bonito... :)