21.5.08

Dor



A Dor não tem peso nem medida,
a dor acolhe-se
em cada palácio
como em qualquer catre,
é de todos
e é só minha.
A dor
aparece às oito no jornal
e aparece quando não apareces
e sai à rua, e bebe uns copos
à conversa com a solidão.
A dor
é das bandeiras a meia-haste
e dos mudos
que se calam e a guardam.
A dor é parida e dói mais
dos filhos já partidos.
A dor
vem das guerras fardadas
dos títulos póstumos
nas medalhas penduradas
a dor vira as costas
à vitória
abraça a derrota
e jorra nas lágrimas
dos meninos
que a choram por fome
e dos que a choram sem saber
e dos que a não têm
por lhes faltar força para a segurar.
A dor está nas gargantas
que morrem à sede
e dos que morrem da água que jorra
sem cessar.
A dor é um poema inacabado
um desespero
um não
e um sim.
A dor fecha portas
a quem não tem dor e lhe dói,
a dor dói
na vastidão de um fim
que não se avista
e dos cegos que querem ver
e dos que vêem e nada são.
a dor permanece
e a cada um dá seu quinhão
nos amigos que se perdem
e de quem não os tem
a dor é a fatia de pão
a dor é só dor,
há-de passar

3 comentários:

Vera disse...

Passa sempre...
Mais um belo poema JB!

Beijo

lotto disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
T u r t l e M o o n disse...

sabes q um dos meus livros favoritos chama-se "a dor" - marguerite duras?!..já o leste?acho q irias gostar.o poema descreve-a bem, só não quero q a sintas.bjs