22.6.07

Nasceste das palavras




Nasceste das palavras, como seara verde, fresca que rompe ao claro da manhã, como a luz das auroras mais claras, foste pássaro que me olhou no beiral e não se recolhe nem foge, antes permanece entoando o canto de conquista.
Dos teus dedos, percebi o toque seguro dos que se encantam e amam com a determinação de um guerreiro, a vontade dos caminheiros que se levantam e querem chegar mais longe. Sinto-te, presente em cada dia, na música que me embala, nos sentidos que se despertam ao perceber-te. Arranco de mim as perguntas para as quais só tu surges como resposta.
Depois vêm as noites que se seguem aos dias intensos, às ruas cheias de gente e de nada, dos nevoeiros densos das chaminés antigas, dos braços caídos de quem vive por viver, das margaridas murchas, desbotadas, dos artifícios dos sorrisos cosméticos, dos enganos de meio mundo a outro mundo mais que meio.
Mas quando a madrugada rompe, e num clarear furtivo, consigo romper na manhã, livre e intensa, no cheiro da brisa que se acorda, cruzo a cidade magnífica, limpa, húmida do silêncio virginal que os adormecidos não entendem Aí estás outra vez, perfeita, magnífica, dada, ao meu amor, rebentando num poema que se desenha, decalcado desse teu rosto, tatuado em mim, só para que os teus olhos se abram, a tua boca sorria, o teu corpo se deite e me diga, que esta paixão, nascida das palavras, é rosa aberta que não morre mais.

3 comentários:

impulsos disse...

E das tuas palavras nasceu um texto magnífico que li de uma vez só!
Seja em poesia ou em prosa, tudo o que por aqui escreves, é um reflexo da sensibilidade e do saber do seu criador.

um beijo

Vera disse...

E do teu coração nasceu este belíssimo texto!

Beijinhos

Vanda Paz disse...

É sempre bom quando algo nasce, principalmente textos desta qualidade...

Beijo
T