14.6.06

Pensamentos

Impenetráveis, mudos
pensamentos,
caem nas mãos
como gotas de orvalho
rasgando a aurora,
nascem invisiveis,
de madrugada,
mansamente,
despertam,
guardando o dia.
Uns fogem
outros ficam,
dando côr às palavras
aos gestos,
vestindo as memórias.
Impenetráveis, mudos,
são a verdade que tenho,
com eles rio,
choro,
escopro e cinzel
de cada poema
com que lapido as palavras,
sementes
da vida que cresce,
e se derrama pelo mundo fora.
Impenetráveis, mudos,
fruto de mim,
da minha vontade,
espreguiçam-se
e recolhem-se bem à noite,
que o sonho
não quer ser realidade.

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