12.3.12

Para sempre




















Os teus olhos fitam,
nem pestanejam,
são rios de água que correm, azuis,
mas nada me dizem.
Há outras mulheres perfiladas, nuas,
que me invadem,
despertam-me, não me acordam
sem ruído, sem palavras.
vestem-se nas minhas costas,
formas distraídas, acácias sugadoras.
- olho e rio,
rolo no chão, caio na ponta dos dedos,
nem me importam os desenhos,
nem os apago, tudo passa
sobre o que fiz,
em tudo o que fui,
em tudo o que quero.
engulo os contratempos e revelo
teu corpo aos meus sentidos,
não me importa se envelheces,
sou teu macho
sou o teu dia,
e a minha noite vem das tuas coxas
reluzentes,
acesas,
iluminando a estrada por onde me perco.
dando corpo às memórias
aquecidas em álbuns de fotografias
que são tão vivas
como os teus beijos que me deixas
quando acordamos juntos,
e somos cúmplices de chinelos e pijamas
bebendo um leite morno
e um pão aquecido, torrado.
Há códigos secretos
onde a palavra passe és tu.
há rugas que me adoçam
e a vida passa,
eternamente dia a dia,
na louca calma dos entardeceres.

8.3.12

Mulher






 


 
Abres-te
como uma janela em dia soalheiro;
abres teu peito
e sou um bebé enroscado
fazendo ninho do teu colo
teu rebento nutrido, cheio.
abres-me teus olhos
e fazes que eu veja o mundo,
perceba o cheiro da terra,
e do sangue que cai sem sentido,
que conte a história das letras
e some as contas e os números;
abres-me teu ventre
saio de ti
pisando chão firme
dás-me a mão,
chamas-me filho;
abres-me as pernas
incendeias meu desejo
abres-me a boca
e deixas nela teu beijo marcado,
de amante,
feminina,
menina fêmea
mulher
aberta, ferida
sempre rainha
nesta janela onde o horizonte
se faz.