A paixão sai de mim como se fossem cavalos selvagens que nenhuma cerca segura. – nem sempre - às vezes a vida apanha-nos, cerca-nos com os mais grossos elos de aço, as mais finas cordas, e o medo, o medo de virar mesas e cadeiras, de partir à procura da verdade, de entregá-la no colo de quem queremos.
Ficam as coisas belas, derretendo nas mãos, queimando-nos os dedos, enrugando de tanta espera. Inventamos as palavras e, perdemo-nos...
Às vezes um gesto seria tudo, uma mão sobre a outra de outra, um sorriso talvez…
uma carícia mais ousada, com uma desculpa de permeio. Mas existem as palavras. Então, rodamos em círculos e círculos, e inventamos as rotundas da nossa vida, donde nem sempre sabemos por onde sair, ou não queremos, ou não podemos, ou esta hora já não pode ser mais longa, porque pode perigosamente dizer, o que o coração teima e a razão proíbe.
É preciso contrariar a morte lenta.
Aproveitar as verdades que vêm de dentro de nós, as emoções e a química que os outros nos provocam, e da paixão, da infinita e malvada paixão que nos devora.
Às vezes o amor parece ser uma coisa mais bonita e serena, mas é construído, e tudo o que é construído tem planos e projectos...
A paixão é no fundamental aquilo que nos aguenta, nos transforma, nos faz viver com os olhos encharcados de alegria,
às vezes inventando
às vezes enlouquecendo,
de sermos ou termos de ser tão racionais e pragmáticos. Depois existem as horas, os filhos, os atilhos e os empecilhos, a família, o carro e o arranjo do carro, a TV e a TV cabo, os vizinhos e o barulho, e a lista do supermercado, e o fato novo e a camisola velha, e existem aqueles seres especiais a quem nada nos liga, mas que nos ligam ao imaginário e ao amanhecer com fome e com vontade de não morrer lentamente...
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
2.1.07
4.12.06
Destinação
Embora o meu ser te reconheça
E entenda nos teus braços o prazer;
Não posso, nem quero, nem mereço
Tudo o que m’entregas por querer.
Não te ouso dizer aquilo que sinto,
E se por acaso és tu que quer fugir,
No teu sorriso eu m’escondo e minto
E teus beijos e teu colo sei pedir.
Há um sabor amargo quase cínico
Que diz que contigo me perdi
Destino mágico, feitiço químico
Histórias comuns de toda a terra
Q’um amor impossível sempre encerra
No futuro dos amantes que eu já li.
E entenda nos teus braços o prazer;
Não posso, nem quero, nem mereço
Tudo o que m’entregas por querer.
Não te ouso dizer aquilo que sinto,
E se por acaso és tu que quer fugir,
No teu sorriso eu m’escondo e minto
E teus beijos e teu colo sei pedir.
Há um sabor amargo quase cínico
Que diz que contigo me perdi
Destino mágico, feitiço químico
Histórias comuns de toda a terra
Q’um amor impossível sempre encerra
No futuro dos amantes que eu já li.
Um beijo
De tudo o que um beijo
quer dizer,
do que passou
do que se viu….
um beijo que sabe
a tudo
e muito pouco…
nas palavras mudas
incandescentes
lume fátuo
que me resta,
me arranca dos medos,
respostas breves
ternura semeada
sem arado que se meta
à terra –
- que a prepare.
e o carmim dos lábios
os lençóis acetinados
o cheiro morno dos teus seios
o torpor vago das tuas coxas
se espraiando em mim
o adeus que morre nas tuas mãos abertas
desprendendo-me das certezas
dívidas e duvidas que saldamos
no adeus e na volta
que sempre chegam
e tu pagas.
De tudo o que um beijo
quer dizer
resta o próprio sabor
tomado a gosto
quanto baste,
numa tarde de chuva
num ermo sombrio
onde tudo é nada
e o norte se perde
e o beijo
subsiste.
quer dizer,
do que passou
do que se viu….
um beijo que sabe
a tudo
e muito pouco…
nas palavras mudas
incandescentes
lume fátuo
que me resta,
me arranca dos medos,
respostas breves
ternura semeada
sem arado que se meta
à terra –
- que a prepare.
e o carmim dos lábios
os lençóis acetinados
o cheiro morno dos teus seios
o torpor vago das tuas coxas
se espraiando em mim
o adeus que morre nas tuas mãos abertas
desprendendo-me das certezas
dívidas e duvidas que saldamos
no adeus e na volta
que sempre chegam
e tu pagas.
De tudo o que um beijo
quer dizer
resta o próprio sabor
tomado a gosto
quanto baste,
numa tarde de chuva
num ermo sombrio
onde tudo é nada
e o norte se perde
e o beijo
subsiste.
Cheiro de hortelã

Entro na tua casa,
cheira-me ao chá de hortelã
que perfuma os beijos
com que me recebes
e me prendes junto a ti.
O calor de Inverno
sobra da salamandra
que se esconde ao canto
da tua sala.
Uma tranquila ternura
irradia da tua pele de
amante, agora nua,
mulher plena,
onde a luz do fim da tarde
desenha teu vulto
no encantamento com
que me contas teus dias.
Somos dois corpos dormentes
Rastejando nos vincos
do pano acetinado,
moldado
ao nosso prazer,
duas taças sempre meias
na noite que nos espera,
duas almas que se querem
no intenso aroma dos corpos
insaciados,
somos nós,
e o tempo dos relógios,
sorrindo do tempo
que resta,
e da vontade
de voltarmos
à eterna busca
dos sorrisos
e dos momentos,
onde nos achamos…
felizes.
cheira-me ao chá de hortelã
que perfuma os beijos
com que me recebes
e me prendes junto a ti.
O calor de Inverno
sobra da salamandra
que se esconde ao canto
da tua sala.
Uma tranquila ternura
irradia da tua pele de
amante, agora nua,
mulher plena,
onde a luz do fim da tarde
desenha teu vulto
no encantamento com
que me contas teus dias.
Somos dois corpos dormentes
Rastejando nos vincos
do pano acetinado,
moldado
ao nosso prazer,
duas taças sempre meias
na noite que nos espera,
duas almas que se querem
no intenso aroma dos corpos
insaciados,
somos nós,
e o tempo dos relógios,
sorrindo do tempo
que resta,
e da vontade
de voltarmos
à eterna busca
dos sorrisos
e dos momentos,
onde nos achamos…
felizes.
29.11.06
As estrelas
As estrelas procuram horizontes
abertos
onde se possam espreguiçar e ser
camas de luz
candeeiros de uma terra
escura,
onde a noite é cúmplice
de cada raio derramado.
Nas esquinas das ruas
onde se acotovelam os bares de má fama
existe sempre um ser embriagado
conspurcando um chão de si já sujo
e onde a gente dos dias sem estrelas
nunca se atreve a passar.
As estrelas passam a noite a conversar
e no barulho que fazem
alumiando quem quer
e quem não quer
perdem aos pontos com
uma pequena rocha
amiga da maior estrela
que de noite se esconde
e deixa a lua ser o que não é.
As estrelas gastam-se em desenhos
em problemas que só as constelações
sabem que têm,
e é ver os namorados adivinharem
e nomearem,
e pensarem o que cada estrela tem,
que nunca lhe vão chegar,
- à lua já todos chegamos:
por telegrama
por TV
ou num poema que um lobo
uivando
deixou por aí
À lua, sua estrela.
abertos
onde se possam espreguiçar e ser
camas de luz
candeeiros de uma terra
escura,
onde a noite é cúmplice
de cada raio derramado.
Nas esquinas das ruas
onde se acotovelam os bares de má fama
existe sempre um ser embriagado
conspurcando um chão de si já sujo
e onde a gente dos dias sem estrelas
nunca se atreve a passar.
As estrelas passam a noite a conversar
e no barulho que fazem
alumiando quem quer
e quem não quer
perdem aos pontos com
uma pequena rocha
amiga da maior estrela
que de noite se esconde
e deixa a lua ser o que não é.
As estrelas gastam-se em desenhos
em problemas que só as constelações
sabem que têm,
e é ver os namorados adivinharem
e nomearem,
e pensarem o que cada estrela tem,
que nunca lhe vão chegar,
- à lua já todos chegamos:
por telegrama
por TV
ou num poema que um lobo
uivando
deixou por aí
À lua, sua estrela.
Aqui sentado

Foto de Jorge Casais
Aqui sentado, escrevendo,
dou-me conta do demónio
que me toma
e me torce as palavras
rebentando-me por dentro
em instantes colhidos
em sentimentos soltos, desventrados,
numa opaca e sublime toga
dos sacerdotes
guardadores de templos
onde nunca ninguém foi adorado.
Aqui sentado, escrevendo
as palavras roçam na mesa
arrepiando os cabelos
como se tivessem areia nas solas,
ou guinchassem em cristais molhados
tocados em círculo.
As palavras tolhem-me
arredondam o meu passo
e desmentem o que quero dizer e não sei.
Sou um surdo-mudo que esperneia
um vendedor de sonhos
em cima de um palanque
gritando de megafone
a gente que me compre
o que quero dar a entender.
Vendo livros de capa rija
bordados das noites em claro
dos pictogramas inexpressivos
das ruas cheias de néon
demoradas de escuridão.
Aqui sentado, pensando
deixo as palavras brincar à minha beira
tocando-as e afagando-as
chamando-as
quando se afastam
decorando seus nomes uma a uma,
sentado junto ao demónio
que não se esconde
nem se disfarça.
Aqui sentado, quieto
deixo as palavras subir em meu colo,
que a noite vai chegando
e todas se querem recolher.
dou-me conta do demónio
que me toma
e me torce as palavras
rebentando-me por dentro
em instantes colhidos
em sentimentos soltos, desventrados,
numa opaca e sublime toga
dos sacerdotes
guardadores de templos
onde nunca ninguém foi adorado.
Aqui sentado, escrevendo
as palavras roçam na mesa
arrepiando os cabelos
como se tivessem areia nas solas,
ou guinchassem em cristais molhados
tocados em círculo.
As palavras tolhem-me
arredondam o meu passo
e desmentem o que quero dizer e não sei.
Sou um surdo-mudo que esperneia
um vendedor de sonhos
em cima de um palanque
gritando de megafone
a gente que me compre
o que quero dar a entender.
Vendo livros de capa rija
bordados das noites em claro
dos pictogramas inexpressivos
das ruas cheias de néon
demoradas de escuridão.
Aqui sentado, pensando
deixo as palavras brincar à minha beira
tocando-as e afagando-as
chamando-as
quando se afastam
decorando seus nomes uma a uma,
sentado junto ao demónio
que não se esconde
nem se disfarça.
Aqui sentado, quieto
deixo as palavras subir em meu colo,
que a noite vai chegando
e todas se querem recolher.
24.11.06
E de um poema nasceu... II
Deixou um poema em cima da mesa e saiu. Sabia que ela, ao sentir o frio do outro lado da cama, saltaria pronta, procurando onde tinham feito amor, a mesa nua e fria, ainda quente do seu corpo, sulcos de si própria espalhados nela, e assim, perceberia a folha cheia, acolhendo palavras para si.
Não, não era um recado, nem uma justificação, nem concerteza razões expressas de forma polida e omnisciente, desculpando-se. Era um poema, zurzido da consciência do impossível, dos pedaços dos dois, que ainda ontem pareciam não conseguir se despegar, iluminados da loucura que os prazeres quando libertados, emprestam aos corpos e lhes dão aquele brilho, que só os amantes sabem contar e explicar dentro dos seus corações.
Uma dolorosa e delicada expressão de amargura, empalideceu seu rosto, sentindo a solidão dos amantes traídos; olhou de lado a sua cama, desarrumada, os lençóis descaídos e soltos, as roupas espalhadas pelo chão, como um mapa, com pontos demarcados e uma história apensa a cada um.
Já sentada na beira da cama, contida no seu próprio corpo, escondendo seus seios em seus braços, as pernas geladas, vermelhas, unidas na estupefacção do seu próprio ruído interior, procuraram nas palavras uma nova força, um destino, uma alma.
Encontrou-o mais uma vez. Como sempre, arquitecto de palavras, demasiadamente doce para a sua manhã, o rosto dele na sua memória - definhando, e foi lendo, e lendo, sem compreender onde chegava.
Era a carta de um homem com medo do amor, como se não lhe tivesses deixado os seus portões abertos para entrar, era a carta de um homem preso ao espaço e à resignação do mundo que trouxera atrás de si, como se ela alguma vez tivesse ousado tocar em seus haveres, ou pronunciado a palavra passado. Era ele e seu mundo, e a irrazoável forma de dizer adeus cobardemente, como se num último rebate, abandonasse a prancha mais alta e recusasse o salto para um mar maior e mais azul.
Ela sorriu, arrumou o quarto, tremeu de frio, e percebeu o quanto tinha estado nua, agasalhou-se sentindo o conforto do seu xaile de seda, onde tantas vezes repousara o seu amante, e sorrindo mais uma vez, abriu a janela que dava para o meio da rua, o rio entrando pelas suas narinas, extasiado do fresco ar húmido e salgado que a abraçava, e convidando o Sol a entrar, escutou no seu rádio a sua música favorita, trauteando um novo canto, sem saudade, sem rancor. O amor, o seu amor haveria de chegar outra vez.Ele, parado no meio da rua, queria perceber o que tinha escrito, a impulsividade que o dominava, o medo de magoar, de prolongar sonhos sem esperança. Doía-lhe o peito e a saudade dos lábios dela. A manhã não lhe dava tréguas, de ter sido acordada tão cedo, enregelou-lhe os ossos, como querendo que ele voltasse ao leito que tinha deixado. Sentia o perfume dela, abraçando-o, mas soube que a outra história devia estar destinado. Final de história, os passos levavam-no em frente. Sorriu na compreensão, do quanto ela ficaria no seu peito, na sua memória, e amou esse momento na plenitude de um grande final e do quanto os momentos são diferentes na medição do tempo e dos seus segundos. Veio-lhe à memória a mesma canção, que tocava em todas as janelas abertas, a sua canção, espalhada por todos os rádios, esperando que ela também o tivesse ligado, trauteou baixinho para ela, que o amor nunca irá partir, um dia o amor, o seu amor haveria de chegar outra vez.
Não, não era um recado, nem uma justificação, nem concerteza razões expressas de forma polida e omnisciente, desculpando-se. Era um poema, zurzido da consciência do impossível, dos pedaços dos dois, que ainda ontem pareciam não conseguir se despegar, iluminados da loucura que os prazeres quando libertados, emprestam aos corpos e lhes dão aquele brilho, que só os amantes sabem contar e explicar dentro dos seus corações.
Uma dolorosa e delicada expressão de amargura, empalideceu seu rosto, sentindo a solidão dos amantes traídos; olhou de lado a sua cama, desarrumada, os lençóis descaídos e soltos, as roupas espalhadas pelo chão, como um mapa, com pontos demarcados e uma história apensa a cada um.
Já sentada na beira da cama, contida no seu próprio corpo, escondendo seus seios em seus braços, as pernas geladas, vermelhas, unidas na estupefacção do seu próprio ruído interior, procuraram nas palavras uma nova força, um destino, uma alma.
Encontrou-o mais uma vez. Como sempre, arquitecto de palavras, demasiadamente doce para a sua manhã, o rosto dele na sua memória - definhando, e foi lendo, e lendo, sem compreender onde chegava.
Era a carta de um homem com medo do amor, como se não lhe tivesses deixado os seus portões abertos para entrar, era a carta de um homem preso ao espaço e à resignação do mundo que trouxera atrás de si, como se ela alguma vez tivesse ousado tocar em seus haveres, ou pronunciado a palavra passado. Era ele e seu mundo, e a irrazoável forma de dizer adeus cobardemente, como se num último rebate, abandonasse a prancha mais alta e recusasse o salto para um mar maior e mais azul.
Ela sorriu, arrumou o quarto, tremeu de frio, e percebeu o quanto tinha estado nua, agasalhou-se sentindo o conforto do seu xaile de seda, onde tantas vezes repousara o seu amante, e sorrindo mais uma vez, abriu a janela que dava para o meio da rua, o rio entrando pelas suas narinas, extasiado do fresco ar húmido e salgado que a abraçava, e convidando o Sol a entrar, escutou no seu rádio a sua música favorita, trauteando um novo canto, sem saudade, sem rancor. O amor, o seu amor haveria de chegar outra vez.Ele, parado no meio da rua, queria perceber o que tinha escrito, a impulsividade que o dominava, o medo de magoar, de prolongar sonhos sem esperança. Doía-lhe o peito e a saudade dos lábios dela. A manhã não lhe dava tréguas, de ter sido acordada tão cedo, enregelou-lhe os ossos, como querendo que ele voltasse ao leito que tinha deixado. Sentia o perfume dela, abraçando-o, mas soube que a outra história devia estar destinado. Final de história, os passos levavam-no em frente. Sorriu na compreensão, do quanto ela ficaria no seu peito, na sua memória, e amou esse momento na plenitude de um grande final e do quanto os momentos são diferentes na medição do tempo e dos seus segundos. Veio-lhe à memória a mesma canção, que tocava em todas as janelas abertas, a sua canção, espalhada por todos os rádios, esperando que ela também o tivesse ligado, trauteou baixinho para ela, que o amor nunca irá partir, um dia o amor, o seu amor haveria de chegar outra vez.
22.11.06
Tenho
Tenho os dedos marcados
desta escrita,
que por vontade própria
me conduz impunemente a ti.
Tenho os olhos cansados
de os abrir, noite fora,
murmurando nos silêncios,
procurando em relances de luz,
o teu vulto,
tua figura.
Tenho a minha boca ardendo
seca, dorida
das palavras que não disse
e das que repito a cada
minuto,
do teu nome.
Tenho o peito encovado,
arfando,
procurando outro ar
que respire,
solto do cheiro
com que teu corpo
me atormenta.
Tenho a vida despegada,
das portas onde
não entro,
das estradas que não percorro,
dos rostos felizes
que não visito.
Tenho-te a ti,
e…
basta-me.
desta escrita,
que por vontade própria
me conduz impunemente a ti.
Tenho os olhos cansados
de os abrir, noite fora,
murmurando nos silêncios,
procurando em relances de luz,
o teu vulto,
tua figura.
Tenho a minha boca ardendo
seca, dorida
das palavras que não disse
e das que repito a cada
minuto,
do teu nome.
Tenho o peito encovado,
arfando,
procurando outro ar
que respire,
solto do cheiro
com que teu corpo
me atormenta.
Tenho a vida despegada,
das portas onde
não entro,
das estradas que não percorro,
dos rostos felizes
que não visito.
Tenho-te a ti,
e…
basta-me.
21.11.06
Errante
Errante,
procuro as cores que o
Mundo pinta;
atrevo-me em passos céleres,
prosélito
de todos os lugares
onde se alcance um copo,
e as canções escorram
amenas,
pelos sorrisos
de homens velhos, batidos.
Nómada,
aperto-me em braços
de mulheres alcunhadas,
tocando-as de cor
melodias repetidas
sem olhar.
Transviado
procuro a estrada que deixei
sem tempo
sem marcas,
gestos e olhar gastos,
tacteando no coração
teu endereço
onde quero voltar
e me aconchegar
deste erro eterno
de te buscar.
procuro as cores que o
Mundo pinta;
atrevo-me em passos céleres,
prosélito
de todos os lugares
onde se alcance um copo,
e as canções escorram
amenas,
pelos sorrisos
de homens velhos, batidos.
Nómada,
aperto-me em braços
de mulheres alcunhadas,
tocando-as de cor
melodias repetidas
sem olhar.
Transviado
procuro a estrada que deixei
sem tempo
sem marcas,
gestos e olhar gastos,
tacteando no coração
teu endereço
onde quero voltar
e me aconchegar
deste erro eterno
de te buscar.
13.11.06
Terceira

Foto de Gonçalo José Pereira dos Santos
A toda a volta o mar ter abraça
no teu vestido verde, feiticeira,
das tuas fragas ond'o mar passa
nesses vales e aldeias da Terceira.
e dos teus vulcões adormecidos
que jazem nos algares inanimados
pastos de toiros em campos perdidos
que Isabel a Santa cobre, abençoados
e d'Angra e da Vitória onde me guardo
vejo o Sol descendo apaixonado,
olh'o Oeste distante e frondoso
e um açor que voando sobr'a Baía
numa criptóméria poisa p'ra meu gozo
e me faz sentir em ti a poesia.
no teu vestido verde, feiticeira,
das tuas fragas ond'o mar passa
nesses vales e aldeias da Terceira.
e dos teus vulcões adormecidos
que jazem nos algares inanimados
pastos de toiros em campos perdidos
que Isabel a Santa cobre, abençoados
e d'Angra e da Vitória onde me guardo
vejo o Sol descendo apaixonado,
olh'o Oeste distante e frondoso
e um açor que voando sobr'a Baía
numa criptóméria poisa p'ra meu gozo
e me faz sentir em ti a poesia.
Sentido único
Eis uma nova informação,
Senhores!
Deram à minha rua um sentido único!!!!!!
Notícia estranha esta, da minha rua,
Não posso voltar atrás?
Nem cirandar pela rua?
E quando esquecer a chave, e quiser voltar?
Não vale a pena,
Que a minha casa é no meio da rua
E a minha rua acaba no fim, e não retorna,
Sem sentido que não único
Quando sair, será a ultima vez,
Para quê voltar pela chave?
E pela rua?
E os rapazes acenarão com lenços brancos,
Porque me verão uma única vez,
Na direcção do sentido sul.
E direi um único e final adeus
À minha amada,
Que o sentido único da minha rua,
Me fará buscar outra rua,
Que vá dar à minha.
De um sentido único.
Já sinto as saudades das varandas
E do cheiro da sopa a cozer à tardinha,
E dos gatos babando-se no salto
Pelos pássaros,
E das campainhas das ciclas que guincham,
E das bolas que batem no muro baixo
Da minha casa.
Já sinto o sentido das coisas que desaguarão,
E do final triste da foz
Que tem por destino partir,
E das velhotas,
A quem sorria e recuava
Para ouvir, suas vozes baixas e roucas
Contando do que tinham visto na rua
Com sentidos,
Agora de sentido único…
Ninguém vai olhar o princípio da minha rua
Procurando quem volte,
E haverão novidades
Com um único sentido,
Eu sentido,
Tomarei o mundo
Sempre com o mesmo e absurdo sentido.
Um sentido único
Que deram à minha rua.
Senhores!
Deram à minha rua um sentido único!!!!!!
Notícia estranha esta, da minha rua,
Não posso voltar atrás?
Nem cirandar pela rua?
E quando esquecer a chave, e quiser voltar?
Não vale a pena,
Que a minha casa é no meio da rua
E a minha rua acaba no fim, e não retorna,
Sem sentido que não único
Quando sair, será a ultima vez,
Para quê voltar pela chave?
E pela rua?
E os rapazes acenarão com lenços brancos,
Porque me verão uma única vez,
Na direcção do sentido sul.
E direi um único e final adeus
À minha amada,
Que o sentido único da minha rua,
Me fará buscar outra rua,
Que vá dar à minha.
De um sentido único.
Já sinto as saudades das varandas
E do cheiro da sopa a cozer à tardinha,
E dos gatos babando-se no salto
Pelos pássaros,
E das campainhas das ciclas que guincham,
E das bolas que batem no muro baixo
Da minha casa.
Já sinto o sentido das coisas que desaguarão,
E do final triste da foz
Que tem por destino partir,
E das velhotas,
A quem sorria e recuava
Para ouvir, suas vozes baixas e roucas
Contando do que tinham visto na rua
Com sentidos,
Agora de sentido único…
Ninguém vai olhar o princípio da minha rua
Procurando quem volte,
E haverão novidades
Com um único sentido,
Eu sentido,
Tomarei o mundo
Sempre com o mesmo e absurdo sentido.
Um sentido único
Que deram à minha rua.
7.11.06
Vencido
Angustio-me na espera de te ter,
assusto-me nos teus braços
que me querem.
Escondo-me de ti
evitando os teus olhos
trespassantes,
negando que é em teu
colo
que me entendo
e preenches meu sentido,
minha carne.
Sou e não sou no mesmo tempo
o amante certo
de teu corpo,
bebo teu prazer
sofregamente,
deixo minha pele
em teus lençóis
e teu cheiro me invade,
bem colado
em meu torso,
onde te agarras,
verdadeira,
e quando a noite vem
e se despede,
e a lua baixinho
sussurra
que o pecado onde me prendo
é culpado,
- arremeto contra mim
arrependido -
de cada vez que estou em ti,
ficar vencido.
assusto-me nos teus braços
que me querem.
Escondo-me de ti
evitando os teus olhos
trespassantes,
negando que é em teu
colo
que me entendo
e preenches meu sentido,
minha carne.
Sou e não sou no mesmo tempo
o amante certo
de teu corpo,
bebo teu prazer
sofregamente,
deixo minha pele
em teus lençóis
e teu cheiro me invade,
bem colado
em meu torso,
onde te agarras,
verdadeira,
e quando a noite vem
e se despede,
e a lua baixinho
sussurra
que o pecado onde me prendo
é culpado,
- arremeto contra mim
arrependido -
de cada vez que estou em ti,
ficar vencido.
Coragem de amar
E porque o Sol lá estava
senti teu sorriso,
acendendo meus desejos,
e a vontade enorme
de que os meus beijos
te enamorassem,
e te abraçasse como se fosses minha.
E do nosso canto
o Mundo aquecesse
no prazer incontornavel
das palavras oferecidas,
dos gestos sem cadeias,
do amor ilimitado
que o sonho desvenda.
E porque a vida nos cala,
e os sonhos se perdem
nas avenidas que atravessamos;
e porque os que amamos
nada nos devem,
e a morte embala
o nosso destino,
ficamos parados
na esperança fugaz
que um dia partamos,
na coragem capaz
de nos revoltarmos
e sermos só
aquilo que sempre quisemos.
senti teu sorriso,
acendendo meus desejos,
e a vontade enorme
de que os meus beijos
te enamorassem,
e te abraçasse como se fosses minha.
E do nosso canto
o Mundo aquecesse
no prazer incontornavel
das palavras oferecidas,
dos gestos sem cadeias,
do amor ilimitado
que o sonho desvenda.
E porque a vida nos cala,
e os sonhos se perdem
nas avenidas que atravessamos;
e porque os que amamos
nada nos devem,
e a morte embala
o nosso destino,
ficamos parados
na esperança fugaz
que um dia partamos,
na coragem capaz
de nos revoltarmos
e sermos só
aquilo que sempre quisemos.
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