E porque o Sol lá estava
senti teu sorriso,
acendendo meus desejos,
e a vontade enorme
de que os meus beijos
te enamorassem,
e te abraçasse como se fosses minha.
E do nosso canto
o Mundo aquecesse
no prazer incontornavel
das palavras oferecidas,
dos gestos sem cadeias,
do amor ilimitado
que o sonho desvenda.
E porque a vida nos cala,
e os sonhos se perdem
nas avenidas que atravessamos;
e porque os que amamos
nada nos devem,
e a morte embala
o nosso destino,
ficamos parados
na esperança fugaz
que um dia partamos,
na coragem capaz
de nos revoltarmos
e sermos só
aquilo que sempre quisemos.
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
7.11.06
30.10.06
E de um poema nasceu...
Foram muitas as palavras, trocámos poemas e comentários, avolumou-se a caixa postal. Cada vez, as palavras faziam mais sentido, olhava cada frase, cada poema e só sabia que todos os dias, ia querendo mais e mais. O gosto da cumplicidade preenchia os nossos tempos, e percebemos que tínhamos criado algo único e pessoal onde só nós podíamos entrar, como os cantos secretos dos adolescentes, onde o mistério e o segredo animam cada fracção do nosso corpo. Tremia só de pensar nela, percebia nas palavras dela, a mesma intimidade, a mesma necessidade de algo diferente e especial, que só cada um de nós podia dar ao outro.
Um dia acabamos por ir mais longe, trocamos telefones e e-mail, soubemos como era o aspecto físico um do outro (como se isso interessasse), e combinámos encontrar-nos. O medo e a ansiedade iam tomando conta de mim, já sabia quem eras, quanto esse teu coração podia entregar, a profunda sensibilidade que criavas em cada poema, a forma como sentias a vida. Decidi abandonar-me a esta paixão, nascida da emoção das palavras, sem qualquer destino, sem qualquer certeza. Apenas como se o mundo fosse um recanto ingénuo, onde nos faríamos felizes, para além de qualquer coisa. Decidimos encontrar-nos.
Olhei-te demoradamente, como se já te conhecesse, como se o teu olhar estivesse para além de ti, da tua forma, da tua roupa. Pousei meus olhos nos teus lábios, segurei tuas mãos, sentindo nelas a força da tua escrita, e quis meu peito contra o teu, como se já fosses minha e te abandonasses sem receios.
A verdade de um beijo formal e um “como estás?”, parecia não fazer parte do nosso quadro, mas foi assim que aconteceu. Procurámos uma esplanada, agradecendo a mesa que nos dava a distância suficiente a nos entendermos, e tentámos começar a conversa, que no nosso canto era tão fácil e fluida. Percebemos rapidamente o nosso embaraço. O nosso desejo contido pela formalidade física, as nossas limitações do outro lado da vida. Formais e inquietos, entregávamos sorrisos tímidos, perguntas esbarravam com os tiques nervosos – tu meneavas o cabelo, eu arrependia-me quanto podia, de ter deixado de fumar.
Acabámos por começar a conversa, acerca do teu poema que escolheras não sei para onde, o tal que me pediras ajuda. E depois foram conversas sobre mais um e mais outro, a vida começava a fazer sentido outra vez. Perdemo-nos nas horas, nos compromissos, fomos papel e caneta, escrita a dois, poemas inventados, a felicidade de nos termos, e por fim um poema em cima da mesa, que copiaste numa letra soberba e me entregaste. Já não sei se nos despedimos ou ficamos, se nos beijamos ou nos amámos.
Essas são as memórias que o nosso canto irá guardar para sempre, como nós dois guardámos esse poema que só nós, sabemos dizer de cor.
Um dia acabamos por ir mais longe, trocamos telefones e e-mail, soubemos como era o aspecto físico um do outro (como se isso interessasse), e combinámos encontrar-nos. O medo e a ansiedade iam tomando conta de mim, já sabia quem eras, quanto esse teu coração podia entregar, a profunda sensibilidade que criavas em cada poema, a forma como sentias a vida. Decidi abandonar-me a esta paixão, nascida da emoção das palavras, sem qualquer destino, sem qualquer certeza. Apenas como se o mundo fosse um recanto ingénuo, onde nos faríamos felizes, para além de qualquer coisa. Decidimos encontrar-nos.
Olhei-te demoradamente, como se já te conhecesse, como se o teu olhar estivesse para além de ti, da tua forma, da tua roupa. Pousei meus olhos nos teus lábios, segurei tuas mãos, sentindo nelas a força da tua escrita, e quis meu peito contra o teu, como se já fosses minha e te abandonasses sem receios.
A verdade de um beijo formal e um “como estás?”, parecia não fazer parte do nosso quadro, mas foi assim que aconteceu. Procurámos uma esplanada, agradecendo a mesa que nos dava a distância suficiente a nos entendermos, e tentámos começar a conversa, que no nosso canto era tão fácil e fluida. Percebemos rapidamente o nosso embaraço. O nosso desejo contido pela formalidade física, as nossas limitações do outro lado da vida. Formais e inquietos, entregávamos sorrisos tímidos, perguntas esbarravam com os tiques nervosos – tu meneavas o cabelo, eu arrependia-me quanto podia, de ter deixado de fumar.
Acabámos por começar a conversa, acerca do teu poema que escolheras não sei para onde, o tal que me pediras ajuda. E depois foram conversas sobre mais um e mais outro, a vida começava a fazer sentido outra vez. Perdemo-nos nas horas, nos compromissos, fomos papel e caneta, escrita a dois, poemas inventados, a felicidade de nos termos, e por fim um poema em cima da mesa, que copiaste numa letra soberba e me entregaste. Já não sei se nos despedimos ou ficamos, se nos beijamos ou nos amámos.
Essas são as memórias que o nosso canto irá guardar para sempre, como nós dois guardámos esse poema que só nós, sabemos dizer de cor.
27.10.06
Chamas
Roçando de leve o teu corpo
percebo a textura
do teu ser,
encontro-me contigo
nos meus braços
um fogo sempre novo
a acender.
E na voragem da carne
que se entrega,
nossos corpos se cruzam
nessa cama,
onde cravas teus dentes
na minh’alma
e teu corpo sempre acende
nossa chama.
E no fim do tempo
de nos amarmos,
tuas pernas longas,
encharcadas,
se colam nas minhas,
repousamos,
a noite -
deixa histórias
bem guardadas.
percebo a textura
do teu ser,
encontro-me contigo
nos meus braços
um fogo sempre novo
a acender.
E na voragem da carne
que se entrega,
nossos corpos se cruzam
nessa cama,
onde cravas teus dentes
na minh’alma
e teu corpo sempre acende
nossa chama.
E no fim do tempo
de nos amarmos,
tuas pernas longas,
encharcadas,
se colam nas minhas,
repousamos,
a noite -
deixa histórias
bem guardadas.
25.10.06
Do fundo da manhã
Do fundo da manhã
‘inda o sol não te sabia,
entraste de rompante
no meu peito
deixando o perfume
dos poemas
largados ao redor
do meu destino.
Olhei-te devagar
pedindo aos teus olhos
que dissessem,
o que as palavras já não falam,
as mãos não contêm,
o coração já não segura.
Entregaste-te,
sem medo, sem perguntas,
fechando meus lábios
às palavras,
que o silêncio diz tanto
às vezes,
do mais puro que se guarda
na memória,
do amor
que não se sabe dizer,
nem nos poemas.
‘inda o sol não te sabia,
entraste de rompante
no meu peito
deixando o perfume
dos poemas
largados ao redor
do meu destino.
Olhei-te devagar
pedindo aos teus olhos
que dissessem,
o que as palavras já não falam,
as mãos não contêm,
o coração já não segura.
Entregaste-te,
sem medo, sem perguntas,
fechando meus lábios
às palavras,
que o silêncio diz tanto
às vezes,
do mais puro que se guarda
na memória,
do amor
que não se sabe dizer,
nem nos poemas.
Qualquer lugar
Sento-me em qualquer lugar,
como se fosse
sempre o mesmo,
sabendo que irás passar
e que a minha pele
se arrepia
quando sinto teus passos,
teu chegar.
Os meus olhos salgam-se
abrem-se para te ver,
para me demorar
no teu rosto,
na tua expressão incontornável,
com que te construo
os poemas
que enfeitam meu sonho..
Espero-te
nas palavras que me trazes
faminto
dos teus gestos,
sedento
da tua boca
que sossega meus lábios
que apenas se acalmam
entregues nos teus.
E na espera que consome
minhas horas,
vergado ao peso da tua ausência,
saboreio as palavras,
guardadas no meu peito
que sei, um dia
escreveste só pr’a mim.
como se fosse
sempre o mesmo,
sabendo que irás passar
e que a minha pele
se arrepia
quando sinto teus passos,
teu chegar.
Os meus olhos salgam-se
abrem-se para te ver,
para me demorar
no teu rosto,
na tua expressão incontornável,
com que te construo
os poemas
que enfeitam meu sonho..
Espero-te
nas palavras que me trazes
faminto
dos teus gestos,
sedento
da tua boca
que sossega meus lábios
que apenas se acalmam
entregues nos teus.
E na espera que consome
minhas horas,
vergado ao peso da tua ausência,
saboreio as palavras,
guardadas no meu peito
que sei, um dia
escreveste só pr’a mim.
Sempre fugindo
Ouvi ao longe os teus passos
caminham para um breve momento
em que todos os minutos são escassos
quando os beijos se perdem ao vento
sempre breves, sempre fugindo
nossa paixão nunca se agarra
como pingos de chuva caindo
perdendo-se no fundo da terra
fica enfim essa lembrança
do teu perfume, cheiro d'esp'rança
e de nós dois, sem pressa, sorrindo
caindo juntos no mesmo leito
fazendo um poema, que estando findo
se crave para sempre no meu peito
caminham para um breve momento
em que todos os minutos são escassos
quando os beijos se perdem ao vento
sempre breves, sempre fugindo
nossa paixão nunca se agarra
como pingos de chuva caindo
perdendo-se no fundo da terra
fica enfim essa lembrança
do teu perfume, cheiro d'esp'rança
e de nós dois, sem pressa, sorrindo
caindo juntos no mesmo leito
fazendo um poema, que estando findo
se crave para sempre no meu peito
Tomas-te nos meus sentidos
... da T.
Sinto-te no meu peito
Como se uma pomba
As asas batessem
Vejo-te no horizonte
Como se fizesses
Parte dele
Escrevo-te em palavras
Pois o silêncio reina
Oiço-te
Entre as ondas
Do mar
Como se um poema
Me cantasses
Cheiro-te entre as
Melhores castas
E degusto-te
No meu cálice
Como se fosses
O melhor dos vinhos
Sinto-te no meu peito
Como se uma pomba
As asas batessem
Vejo-te no horizonte
Como se fizesses
Parte dele
Escrevo-te em palavras
Pois o silêncio reina
Oiço-te
Entre as ondas
Do mar
Como se um poema
Me cantasses
Cheiro-te entre as
Melhores castas
E degusto-te
No meu cálice
Como se fosses
O melhor dos vinhos
17.10.06
Leio-te
Leio-te
como teus olhos
fossem o poema
mais belo de
sempre…
Leio-te,
nas tuas mãos
alimentando os meus sonhos,
nos teus gestos
afagando minh’alma,
nas tuas carícias
que me desvelam
e me torturam.
Leio-te
nas tardes de Outono,
quando a noite se atrasa
repousando na sacada
perdido num pôr-de-sol.
Leio-te
em cada palavra
discorrida,
em cada livro,
imaginando-te…
leio-te
sem te aprender…
como teus olhos
fossem o poema
mais belo de
sempre…
Leio-te,
nas tuas mãos
alimentando os meus sonhos,
nos teus gestos
afagando minh’alma,
nas tuas carícias
que me desvelam
e me torturam.
Leio-te
nas tardes de Outono,
quando a noite se atrasa
repousando na sacada
perdido num pôr-de-sol.
Leio-te
em cada palavra
discorrida,
em cada livro,
imaginando-te…
leio-te
sem te aprender…
Breve sonho que não foi
Cruzamos palavras sem pensar
Estendidas pela rua, pela alma
Sonhavam, choravam sem falar
E se deram ao final da tarde calma
E um amor singelo, foi crescendo
Da ponta dos dedos de escritores
Que se davam quando escrevendo
Espantavam do peito seus amores
Mas afinal a estrada era dura
E pior que o mal, foi a cura
Deixaste-me no meio d’avenida
Fugiste sem tempo para falar
Era mais forte o que vinha da vida
Perdi-te sem tempo de te achar.
Estendidas pela rua, pela alma
Sonhavam, choravam sem falar
E se deram ao final da tarde calma
E um amor singelo, foi crescendo
Da ponta dos dedos de escritores
Que se davam quando escrevendo
Espantavam do peito seus amores
Mas afinal a estrada era dura
E pior que o mal, foi a cura
Deixaste-me no meio d’avenida
Fugiste sem tempo para falar
Era mais forte o que vinha da vida
Perdi-te sem tempo de te achar.
Rotina
Repetem-se os dias
numa cadência
insuportável.
O cinzento desbota-me
os olhares,
e as palavras morrem
nos lábios,
monossílabos singulares
sozinhos
que nada significam.
Os dias de chuva partem,
e os de sol
voltam e retornam,
nem o frio me trespassa,
nem mancho o colarinho
no calor dos dias
iguais.
Sou eu,
e o insuportável peso
de me ter;
e por mais que os olhos
se incendeiem
e te conheça nos desejos
que me acordam,
enquanto não voltes…
e me sacudas,
os dias incompletos
repletos de horas
repetem os acordes tristes
dos dias sem ti,
dos dias iguais
numa cadência
insuportável.
O cinzento desbota-me
os olhares,
e as palavras morrem
nos lábios,
monossílabos singulares
sozinhos
que nada significam.
Os dias de chuva partem,
e os de sol
voltam e retornam,
nem o frio me trespassa,
nem mancho o colarinho
no calor dos dias
iguais.
Sou eu,
e o insuportável peso
de me ter;
e por mais que os olhos
se incendeiem
e te conheça nos desejos
que me acordam,
enquanto não voltes…
e me sacudas,
os dias incompletos
repletos de horas
repetem os acordes tristes
dos dias sem ti,
dos dias iguais
Retalhos das palavras
Porque os poemas são retalhos
Destas vestes que envergo
E da forma como as talho
E muitas vezes as carrego.
Nestes tempos da revolta
Sustenta-me o imaginário
Dum poema que se solta
Como folha de calendário
E cada palavra que escrevo
Faz parte do meu acervo
Dos sentimentos libertos
Em amores nunca contados
Perdidos e encobertos
Em livros nunca editados.
Destas vestes que envergo
E da forma como as talho
E muitas vezes as carrego.
Nestes tempos da revolta
Sustenta-me o imaginário
Dum poema que se solta
Como folha de calendário
E cada palavra que escrevo
Faz parte do meu acervo
Dos sentimentos libertos
Em amores nunca contados
Perdidos e encobertos
Em livros nunca editados.
12.10.06
Um taça de amor
Teu corpo repousa
em mim,
na quietude dos momentos
que fizemos,
olho teus olhos desnudados,
a beleza de um corpo suado
do amor qu’inda agora tivemos.
Juntamos nossas mãos
com um sorriso,
nossas taças cheias
de um tinto roxo
reservado,
mosto saboroso
que degustamos
e deixamos nossos beijos
se trocar.
Sinto-te outra vez
a querer voar,
abrir tuas asas de águia
predadora,
devorar o céu
que nos abriga,
levar-me onde imagino
tu vais estar.
E no fim desta cadência
intemporal,
somos outra vez
corpos alados,
planando para além
do imaginário
dando-se sem reserva
sem limite,
sem outro destino
que nós mesmos.
... para ti T ...
em mim,
na quietude dos momentos
que fizemos,
olho teus olhos desnudados,
a beleza de um corpo suado
do amor qu’inda agora tivemos.
Juntamos nossas mãos
com um sorriso,
nossas taças cheias
de um tinto roxo
reservado,
mosto saboroso
que degustamos
e deixamos nossos beijos
se trocar.
Sinto-te outra vez
a querer voar,
abrir tuas asas de águia
predadora,
devorar o céu
que nos abriga,
levar-me onde imagino
tu vais estar.
E no fim desta cadência
intemporal,
somos outra vez
corpos alados,
planando para além
do imaginário
dando-se sem reserva
sem limite,
sem outro destino
que nós mesmos.
... para ti T ...
Lisboa
Neste chão de mar e de partidas
Onde abri meus olhos p’ra te ver,
Nesta terra de mulheres e de cantigas
Onde o Sol se deita com prazer
È que respiro e me dou continuamente
À vida e às muralhas onde avistas
Vidas, vielas e toda a gente
Talhada no coração de artistas
E nos teus bairros vestidos de memórias
Onde um mouro já contou suas histórias
É que respiro o cheiro que de ti guardo
Em ti onde amando e me perdendo
Traço em folhas de Outono o teu fado
Onde te chamo Lisboa, sempre nascendo
Onde abri meus olhos p’ra te ver,
Nesta terra de mulheres e de cantigas
Onde o Sol se deita com prazer
È que respiro e me dou continuamente
À vida e às muralhas onde avistas
Vidas, vielas e toda a gente
Talhada no coração de artistas
E nos teus bairros vestidos de memórias
Onde um mouro já contou suas histórias
É que respiro o cheiro que de ti guardo
Em ti onde amando e me perdendo
Traço em folhas de Outono o teu fado
Onde te chamo Lisboa, sempre nascendo
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