Os olhos tocam-se
magnânimes,
despertam a vontade
de te ter,
e na linguagem parada
dos sinais,
dos códigos
inventados no momento,
construo a vontade
de dizer,
o que o fundo dos teus olhos
já me disse,
a volta da alma
que não fala
e me perde
na questão irrespondida,
que os tempos
são outros
são passado,
e meus olhos gastos
não atingem,
os teus olhos já não olham
já não vêem
são doutros olhos
o que olho
e não entendo.
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
28.8.06
31.7.06
Retalhos
Os poemas são retalhos
catados no devir do mundo,
sustento do imaginário,
com que me visto,
destes panos que me tapam,
destas vestes que aquecem
e me guardam.
São palavras paridas
no tempo
nos momentos acontecidos
na soleira de qualquer porta,
são a ternura que se abraça,
e a raiva dos dias
em que chove pólvora,
e o sossego,
é o anátema cobarde
do esquecimento.
Os poemas são a veste que envergo,
lingua do tempo da revolta
gestos de amores
gritados,
dos olhos a brilhar,
da cadência das àguas,
das memórias
desfiadas nas noites
em que a lareira
crepita.
Os poemas são retalhos
de um corpo velho,
sarcófago de esperanças
que teimam em renascer,
são alforges
que carrego nas costas,
canções que entoo,
pássaros rumando ao Norte,
são retalhos da primavera,
voltando ano a ano.
Os poemas são retalhos,
desta manta
com que se cobrem
todos os dias,
todas as palavras
com que te pronuncio,
meu amor.
catados no devir do mundo,
sustento do imaginário,
com que me visto,
destes panos que me tapam,
destas vestes que aquecem
e me guardam.
São palavras paridas
no tempo
nos momentos acontecidos
na soleira de qualquer porta,
são a ternura que se abraça,
e a raiva dos dias
em que chove pólvora,
e o sossego,
é o anátema cobarde
do esquecimento.
Os poemas são a veste que envergo,
lingua do tempo da revolta
gestos de amores
gritados,
dos olhos a brilhar,
da cadência das àguas,
das memórias
desfiadas nas noites
em que a lareira
crepita.
Os poemas são retalhos
de um corpo velho,
sarcófago de esperanças
que teimam em renascer,
são alforges
que carrego nas costas,
canções que entoo,
pássaros rumando ao Norte,
são retalhos da primavera,
voltando ano a ano.
Os poemas são retalhos,
desta manta
com que se cobrem
todos os dias,
todas as palavras
com que te pronuncio,
meu amor.
19.7.06
Apenas por um momento
Apenas por um momento
foste minha,
apenas por um momento...
Breve e mudo,
em que as mãos
disseram tudo,
quando te toquei,
e teus olhos se chegaram
aos meus,
apenas por um momento...
os teus lábios
souberam a mel,
e acolheram os meus
como navio
entrando o porto
abrigando-se
ao calor da tua lingua
inesquecivel,
apenas por um momento...
teus panos caíram,
tuas coxas convidando
a que fosse homem inteiro
chegando ao teu colo
sem pedir entrada,
apenas por um momento...
soltámo-nos
no prazer refulgente
de dois corpos
colados,
apenas por um momento,
teus seios
me acolheram e me chamaram
teu,
apenas por um momento...
nasceu este amor.
Apenas por um momento,
a madrugada
despediu-me.
Apenas por um momento...
em que jurámos
que este amor
durará para todo o sempre.
17.7.06
Verão quente
O Verão
quente
suado,
amolece-me os sentidos,
traz-me o teu retrato,
devolve-me
a certeza da ausência
queima-me...
os meus passos embaraçados
estacam
no cais
onde os trens partem
e chegam,
velozes de esperar
porque a vontade
de te ter
é ainda mais forte
que o desespero da realidade....
Na urgência da fantasia
que me apressa
enxugo o suor,
amasso-o nos dedos,
teu retrato junto,
a vida dolente,
o calor subindo,
rendido,
que as lembranças
'inda refrescam.
quente
suado,
amolece-me os sentidos,
traz-me o teu retrato,
devolve-me
a certeza da ausência
queima-me...
os meus passos embaraçados
estacam
no cais
onde os trens partem
e chegam,
velozes de esperar
porque a vontade
de te ter
é ainda mais forte
que o desespero da realidade....
Na urgência da fantasia
que me apressa
enxugo o suor,
amasso-o nos dedos,
teu retrato junto,
a vida dolente,
o calor subindo,
rendido,
que as lembranças
'inda refrescam.
11.7.06
Na pressa do caminho
Na pressa do caminho
que enfrento
pelos sítios já trilhados,
carrego no ombro
o meu bordal
pleno
das memórias
já guardadas,
risos e lembranças
inesquecíveis momentos,
vozes que me tocaram,
gestos desmembrados
multidões roucas,
rios inesgotaveis que passamos
para margens onde
a descoberta
sabia a amores novos.
Coisas inexplicáveis,
gente de outros mundos
que me construiram,
pessoas incomparáveis.
na singularidade da diferença.
o mistério
do preto e branco
da noite e do dia,
das sinfonias que me arrepiam
e me fecham os olhos.
Na pressa do caminho
tenho tempos de espera
inesquecíveis
inexplicáveis
incomparáveis,
na pressa do caminho
tenho a vida que passa
e dou-lhe o braço
fazendo-me caminheiro
deste velho caminho.
que enfrento
pelos sítios já trilhados,
carrego no ombro
o meu bordal
pleno
das memórias
já guardadas,
risos e lembranças
inesquecíveis momentos,
vozes que me tocaram,
gestos desmembrados
multidões roucas,
rios inesgotaveis que passamos
para margens onde
a descoberta
sabia a amores novos.
Coisas inexplicáveis,
gente de outros mundos
que me construiram,
pessoas incomparáveis.
na singularidade da diferença.
o mistério
do preto e branco
da noite e do dia,
das sinfonias que me arrepiam
e me fecham os olhos.
Na pressa do caminho
tenho tempos de espera
inesquecíveis
inexplicáveis
incomparáveis,
na pressa do caminho
tenho a vida que passa
e dou-lhe o braço
fazendo-me caminheiro
deste velho caminho.
4.7.06
Dias de Timor
Calam-se as vozes
pequenas,
onde os sorrisos fazem falta,
e os sonhos outrora
já desfeitos,
voltam a ser
fantasmas da nova aurora.
Uns passaram,
outros vieram,
botas cardadas,
senhores de qualquer terra,
deixando aos que lá
nasceram,
o fruto de um sangue
derramado,
olhos tristes, incertos
sementes calcadas
sem futuro,
que o dia
se vive longamente
no abstracto reino
deste muro,
que a toda a hora
se levanta,
que a toda a hora
nos espanta,
num sofrimento sem medida
num mare de crude
inventado,
Timor sempre no peito
Lorosae, quando serás resgatado?
pequenas,
onde os sorrisos fazem falta,
e os sonhos outrora
já desfeitos,
voltam a ser
fantasmas da nova aurora.
Uns passaram,
outros vieram,
botas cardadas,
senhores de qualquer terra,
deixando aos que lá
nasceram,
o fruto de um sangue
derramado,
olhos tristes, incertos
sementes calcadas
sem futuro,
que o dia
se vive longamente
no abstracto reino
deste muro,
que a toda a hora
se levanta,
que a toda a hora
nos espanta,
num sofrimento sem medida
num mare de crude
inventado,
Timor sempre no peito
Lorosae, quando serás resgatado?
Deste canto
Deste canto
onde me sento à mesa
olhando o teu lugar
vazio
à minha frente,
Deste canto
onde entretenho
o coração
em desejos esbanjados,
deste canto
é que te entrego
estas letras
forradas de carinho,
plenas de uma paixão
que entoo
murmurando teu nome.
Deste canto
encho a nossa praça
num fluir
quente e cheio
dos sentimentos
com que me tocas
com que me enches
com que me constróis
e me fazes sentir
o quanto amo
a presença inquieta
com que te vivo.
onde me sento à mesa
olhando o teu lugar
vazio
à minha frente,
Deste canto
onde entretenho
o coração
em desejos esbanjados,
deste canto
é que te entrego
estas letras
forradas de carinho,
plenas de uma paixão
que entoo
murmurando teu nome.
Deste canto
encho a nossa praça
num fluir
quente e cheio
dos sentimentos
com que me tocas
com que me enches
com que me constróis
e me fazes sentir
o quanto amo
a presença inquieta
com que te vivo.
29.6.06
E se...
Se tudo fosse o que quero,
se os sorrisos me quisessem,
e a liberdade jorrasse
em cada fonte.
E se o tempo fosse imortal.
E se as vozes se calassem
nos pedestais
da miséria,
e tu passasses diante de mim
com as mãos estendidas.
E se o Sol se abrisse
nos olhos encovados
dos que não sonham.
E se cada poema
fosse pão,
E se cada razão
tivesse a côr da inocência.
E se cada pai
olhasse os filhos,
e os filhos contemplassem
as mães,
como regaços de maresia,
onde se colhe o amor.
E se as palavras não se soltassem
como gritos
de socorro.
E se fosses tu,
aqui ao pé,
a falar de amor,
tudo seria como eu quero.
se os sorrisos me quisessem,
e a liberdade jorrasse
em cada fonte.
E se o tempo fosse imortal.
E se as vozes se calassem
nos pedestais
da miséria,
e tu passasses diante de mim
com as mãos estendidas.
E se o Sol se abrisse
nos olhos encovados
dos que não sonham.
E se cada poema
fosse pão,
E se cada razão
tivesse a côr da inocência.
E se cada pai
olhasse os filhos,
e os filhos contemplassem
as mães,
como regaços de maresia,
onde se colhe o amor.
E se as palavras não se soltassem
como gritos
de socorro.
E se fosses tu,
aqui ao pé,
a falar de amor,
tudo seria como eu quero.
Encontro

foto de Harjeet Heer
Cheguei tarde a uma praça já cheia de gente. Como sempre, tinha marcado uma hora que não era a tua. Avistei-te ao longe, a tua expressão não me assustou, estavas serena, despreocupada, gozando o momento daquela praça cheia de gente, cheia do Sol tépido da manhã. Achei-te linda, irradiavas a luminosidade dos "close-up" de filmes antigos, o teu vestido lilás denunciava a tua graciosidade, na forma como olhaste em redor, procurando na espera. Por um momento, o medo de perder-te, de te fazer esperar. No seguinte, a força de te contemplar, fez-me ficar mais um momento. Os teus braços, como numa dança, levavam as mãos ao teu cabelo, juntavam-no num tronco castanho dourado, antevendo teu pescoço onde os meus beijos repousariam, enquanto te segredaria ao ouvido o quanto te amo.
Sentada nas escadas baixas do chafariz que acomodava a praça, sorrias, entretida com meia dúzia de pombos que bicavam migalhas espalhadas pelo chão, e novamente olhaste procurando, como com vontade de apenas olhar. Tua mão, procurou o interior da tua bolsa, saiu de lá o teu caderno azul, a tua caneta que juraste nunca perder, por ser a companheira de todas as horas. Abrias os olhos numa expressão devoradora, interpretavas imagens, desconcertavas as palavras. De repente estava do teu lado, um sorriso esperava-me, um beijo apaixonado trocado, as desculpas do tempo perdido sem ti.
Sentei-me nas tuas escadas. O teu poema obrigou ao meu silêncio, do teu lado, da vida que amo, dum Mundo imaginado, inesperado, desta praça mágica, onde sempre estás. Olá Poesia, que bom rever-te.
Sentada nas escadas baixas do chafariz que acomodava a praça, sorrias, entretida com meia dúzia de pombos que bicavam migalhas espalhadas pelo chão, e novamente olhaste procurando, como com vontade de apenas olhar. Tua mão, procurou o interior da tua bolsa, saiu de lá o teu caderno azul, a tua caneta que juraste nunca perder, por ser a companheira de todas as horas. Abrias os olhos numa expressão devoradora, interpretavas imagens, desconcertavas as palavras. De repente estava do teu lado, um sorriso esperava-me, um beijo apaixonado trocado, as desculpas do tempo perdido sem ti.
Sentei-me nas tuas escadas. O teu poema obrigou ao meu silêncio, do teu lado, da vida que amo, dum Mundo imaginado, inesperado, desta praça mágica, onde sempre estás. Olá Poesia, que bom rever-te.
Canto incontornável
Meus pés descalços
afagam o soalho
frio
no meu canto,
incontornável,
mergulham à roda
do meu peito,
como se nascesse agora.
O silêncio
permanece no meu rosto,
a boca calada
seca,
palavras que não se
travestem de sons,
são imagens sem código,
pedaços visíveis
de um imaginário
invisível
que só eu sinto
e descortino no espelho,
nas rugas
de expressão.
A mesa semeada de
folhas brancas
convida-me,
a cadeira desarrumada
assimétrica,
quer-me...
dou-me, com o sentido
que as respostas
procuram,
mergulho num poema,
amarro minha mão
à pena gasta
que se entrega dócil,
- faltas-me tu,
suave ilusão
que guia as palavras
geradas,
vivas destas ruas
onde chego sempre
ao final
deste canto
incontornavel.
afagam o soalho
frio
no meu canto,
incontornável,
mergulham à roda
do meu peito,
como se nascesse agora.
O silêncio
permanece no meu rosto,
a boca calada
seca,
palavras que não se
travestem de sons,
são imagens sem código,
pedaços visíveis
de um imaginário
invisível
que só eu sinto
e descortino no espelho,
nas rugas
de expressão.
A mesa semeada de
folhas brancas
convida-me,
a cadeira desarrumada
assimétrica,
quer-me...
dou-me, com o sentido
que as respostas
procuram,
mergulho num poema,
amarro minha mão
à pena gasta
que se entrega dócil,
- faltas-me tu,
suave ilusão
que guia as palavras
geradas,
vivas destas ruas
onde chego sempre
ao final
deste canto
incontornavel.
Dias cinzentos
A rotina alimenta-se de mim,
repetitiva roda
que os dias tecem.
toca o telefone, e não atendo,
bates à porta -
digo que não estou...
O que eu queria era o vento
a romper as janelas,
a chuva bruta e selvagem
pelas paredes dentro.
O cheiro do amor
na minha almofada,
o prazer do vinho
dessedentando gargantas,
as mãos cheias de tinta
de poemas esventrados.
Procuro meu espaço
fora das teias
deste tempo,
escuro como breu,
nada vejo,
nada sinto,
são lágrimas que não escorrem,
olhos cegos,
afundados,
perdidos,
apenas te percebo,
deslizando por dentro
da minha pele,
tomando-me
consumindo-me
neste vago torpôr
nesta impotência maldita,
dos dias cinzentos
sem sangue
sem ti,
repetitiva roda
que a rotina
escava.
repetitiva roda
que os dias tecem.
toca o telefone, e não atendo,
bates à porta -
digo que não estou...
O que eu queria era o vento
a romper as janelas,
a chuva bruta e selvagem
pelas paredes dentro.
O cheiro do amor
na minha almofada,
o prazer do vinho
dessedentando gargantas,
as mãos cheias de tinta
de poemas esventrados.
Procuro meu espaço
fora das teias
deste tempo,
escuro como breu,
nada vejo,
nada sinto,
são lágrimas que não escorrem,
olhos cegos,
afundados,
perdidos,
apenas te percebo,
deslizando por dentro
da minha pele,
tomando-me
consumindo-me
neste vago torpôr
nesta impotência maldita,
dos dias cinzentos
sem sangue
sem ti,
repetitiva roda
que a rotina
escava.
Sexta-feira
Desaperto este nó
da semana,
trago de volta
o meu tempo.
Os pés descalços,
o peito aberto
à minha vontade,
os meus braços
arregaçam-se
dormem comigo
entregando-se em sonhos
que nenhum relógio
interrompe.
sou eu e o meu ritmo,
a porta entreaberta.
Adeus que me vou,
hei-de voltar.
Agora não,
acabou a sexta-feira.
da semana,
trago de volta
o meu tempo.
Os pés descalços,
o peito aberto
à minha vontade,
os meus braços
arregaçam-se
dormem comigo
entregando-se em sonhos
que nenhum relógio
interrompe.
sou eu e o meu ritmo,
a porta entreaberta.
Adeus que me vou,
hei-de voltar.
Agora não,
acabou a sexta-feira.
22.6.06
Acho-te...
Acho-te em cada momento,
nas palavras que me rebentam na boca
como frutos maduros, roxos.
Acho-te no frio
que a maresia empresta,
nas vagas
selvagens, salgadas.
Acho-te em cada olhar,
procurando o mais além,
nas águas tímidas
vertidas de olhos perdidos.
Acho-te nas planícies
que não alcanço,
na imensidão dos pensamentos
guardados,
Acho-te
nas folhas brancas
que esperam meus dedos,
Acho-te no cheiro
da minha pele,
onde passaste, brincando,
Acho-te
no esplendor de um dia de Sol,
no mistério das noites enluaradas,
Acho-te no sentido
da vida,
Acho-te
em todos os pedaços
que recuso perder,
Acho-te
sem te encontar,
Acho-te
e sabes-me bem.
nas palavras que me rebentam na boca
como frutos maduros, roxos.
Acho-te no frio
que a maresia empresta,
nas vagas
selvagens, salgadas.
Acho-te em cada olhar,
procurando o mais além,
nas águas tímidas
vertidas de olhos perdidos.
Acho-te nas planícies
que não alcanço,
na imensidão dos pensamentos
guardados,
Acho-te
nas folhas brancas
que esperam meus dedos,
Acho-te no cheiro
da minha pele,
onde passaste, brincando,
Acho-te
no esplendor de um dia de Sol,
no mistério das noites enluaradas,
Acho-te no sentido
da vida,
Acho-te
em todos os pedaços
que recuso perder,
Acho-te
sem te encontar,
Acho-te
e sabes-me bem.
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