Se tudo fosse o que quero,
se os sorrisos me quisessem,
e a liberdade jorrasse
em cada fonte.
E se o tempo fosse imortal.
E se as vozes se calassem
nos pedestais
da miséria,
e tu passasses diante de mim
com as mãos estendidas.
E se o Sol se abrisse
nos olhos encovados
dos que não sonham.
E se cada poema
fosse pão,
E se cada razão
tivesse a côr da inocência.
E se cada pai
olhasse os filhos,
e os filhos contemplassem
as mães,
como regaços de maresia,
onde se colhe o amor.
E se as palavras não se soltassem
como gritos
de socorro.
E se fosses tu,
aqui ao pé,
a falar de amor,
tudo seria como eu quero.
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
29.6.06
Encontro

foto de Harjeet Heer
Cheguei tarde a uma praça já cheia de gente. Como sempre, tinha marcado uma hora que não era a tua. Avistei-te ao longe, a tua expressão não me assustou, estavas serena, despreocupada, gozando o momento daquela praça cheia de gente, cheia do Sol tépido da manhã. Achei-te linda, irradiavas a luminosidade dos "close-up" de filmes antigos, o teu vestido lilás denunciava a tua graciosidade, na forma como olhaste em redor, procurando na espera. Por um momento, o medo de perder-te, de te fazer esperar. No seguinte, a força de te contemplar, fez-me ficar mais um momento. Os teus braços, como numa dança, levavam as mãos ao teu cabelo, juntavam-no num tronco castanho dourado, antevendo teu pescoço onde os meus beijos repousariam, enquanto te segredaria ao ouvido o quanto te amo.
Sentada nas escadas baixas do chafariz que acomodava a praça, sorrias, entretida com meia dúzia de pombos que bicavam migalhas espalhadas pelo chão, e novamente olhaste procurando, como com vontade de apenas olhar. Tua mão, procurou o interior da tua bolsa, saiu de lá o teu caderno azul, a tua caneta que juraste nunca perder, por ser a companheira de todas as horas. Abrias os olhos numa expressão devoradora, interpretavas imagens, desconcertavas as palavras. De repente estava do teu lado, um sorriso esperava-me, um beijo apaixonado trocado, as desculpas do tempo perdido sem ti.
Sentei-me nas tuas escadas. O teu poema obrigou ao meu silêncio, do teu lado, da vida que amo, dum Mundo imaginado, inesperado, desta praça mágica, onde sempre estás. Olá Poesia, que bom rever-te.
Sentada nas escadas baixas do chafariz que acomodava a praça, sorrias, entretida com meia dúzia de pombos que bicavam migalhas espalhadas pelo chão, e novamente olhaste procurando, como com vontade de apenas olhar. Tua mão, procurou o interior da tua bolsa, saiu de lá o teu caderno azul, a tua caneta que juraste nunca perder, por ser a companheira de todas as horas. Abrias os olhos numa expressão devoradora, interpretavas imagens, desconcertavas as palavras. De repente estava do teu lado, um sorriso esperava-me, um beijo apaixonado trocado, as desculpas do tempo perdido sem ti.
Sentei-me nas tuas escadas. O teu poema obrigou ao meu silêncio, do teu lado, da vida que amo, dum Mundo imaginado, inesperado, desta praça mágica, onde sempre estás. Olá Poesia, que bom rever-te.
Canto incontornável
Meus pés descalços
afagam o soalho
frio
no meu canto,
incontornável,
mergulham à roda
do meu peito,
como se nascesse agora.
O silêncio
permanece no meu rosto,
a boca calada
seca,
palavras que não se
travestem de sons,
são imagens sem código,
pedaços visíveis
de um imaginário
invisível
que só eu sinto
e descortino no espelho,
nas rugas
de expressão.
A mesa semeada de
folhas brancas
convida-me,
a cadeira desarrumada
assimétrica,
quer-me...
dou-me, com o sentido
que as respostas
procuram,
mergulho num poema,
amarro minha mão
à pena gasta
que se entrega dócil,
- faltas-me tu,
suave ilusão
que guia as palavras
geradas,
vivas destas ruas
onde chego sempre
ao final
deste canto
incontornavel.
afagam o soalho
frio
no meu canto,
incontornável,
mergulham à roda
do meu peito,
como se nascesse agora.
O silêncio
permanece no meu rosto,
a boca calada
seca,
palavras que não se
travestem de sons,
são imagens sem código,
pedaços visíveis
de um imaginário
invisível
que só eu sinto
e descortino no espelho,
nas rugas
de expressão.
A mesa semeada de
folhas brancas
convida-me,
a cadeira desarrumada
assimétrica,
quer-me...
dou-me, com o sentido
que as respostas
procuram,
mergulho num poema,
amarro minha mão
à pena gasta
que se entrega dócil,
- faltas-me tu,
suave ilusão
que guia as palavras
geradas,
vivas destas ruas
onde chego sempre
ao final
deste canto
incontornavel.
Dias cinzentos
A rotina alimenta-se de mim,
repetitiva roda
que os dias tecem.
toca o telefone, e não atendo,
bates à porta -
digo que não estou...
O que eu queria era o vento
a romper as janelas,
a chuva bruta e selvagem
pelas paredes dentro.
O cheiro do amor
na minha almofada,
o prazer do vinho
dessedentando gargantas,
as mãos cheias de tinta
de poemas esventrados.
Procuro meu espaço
fora das teias
deste tempo,
escuro como breu,
nada vejo,
nada sinto,
são lágrimas que não escorrem,
olhos cegos,
afundados,
perdidos,
apenas te percebo,
deslizando por dentro
da minha pele,
tomando-me
consumindo-me
neste vago torpôr
nesta impotência maldita,
dos dias cinzentos
sem sangue
sem ti,
repetitiva roda
que a rotina
escava.
repetitiva roda
que os dias tecem.
toca o telefone, e não atendo,
bates à porta -
digo que não estou...
O que eu queria era o vento
a romper as janelas,
a chuva bruta e selvagem
pelas paredes dentro.
O cheiro do amor
na minha almofada,
o prazer do vinho
dessedentando gargantas,
as mãos cheias de tinta
de poemas esventrados.
Procuro meu espaço
fora das teias
deste tempo,
escuro como breu,
nada vejo,
nada sinto,
são lágrimas que não escorrem,
olhos cegos,
afundados,
perdidos,
apenas te percebo,
deslizando por dentro
da minha pele,
tomando-me
consumindo-me
neste vago torpôr
nesta impotência maldita,
dos dias cinzentos
sem sangue
sem ti,
repetitiva roda
que a rotina
escava.
Sexta-feira
Desaperto este nó
da semana,
trago de volta
o meu tempo.
Os pés descalços,
o peito aberto
à minha vontade,
os meus braços
arregaçam-se
dormem comigo
entregando-se em sonhos
que nenhum relógio
interrompe.
sou eu e o meu ritmo,
a porta entreaberta.
Adeus que me vou,
hei-de voltar.
Agora não,
acabou a sexta-feira.
da semana,
trago de volta
o meu tempo.
Os pés descalços,
o peito aberto
à minha vontade,
os meus braços
arregaçam-se
dormem comigo
entregando-se em sonhos
que nenhum relógio
interrompe.
sou eu e o meu ritmo,
a porta entreaberta.
Adeus que me vou,
hei-de voltar.
Agora não,
acabou a sexta-feira.
22.6.06
Acho-te...
Acho-te em cada momento,
nas palavras que me rebentam na boca
como frutos maduros, roxos.
Acho-te no frio
que a maresia empresta,
nas vagas
selvagens, salgadas.
Acho-te em cada olhar,
procurando o mais além,
nas águas tímidas
vertidas de olhos perdidos.
Acho-te nas planícies
que não alcanço,
na imensidão dos pensamentos
guardados,
Acho-te
nas folhas brancas
que esperam meus dedos,
Acho-te no cheiro
da minha pele,
onde passaste, brincando,
Acho-te
no esplendor de um dia de Sol,
no mistério das noites enluaradas,
Acho-te no sentido
da vida,
Acho-te
em todos os pedaços
que recuso perder,
Acho-te
sem te encontar,
Acho-te
e sabes-me bem.
nas palavras que me rebentam na boca
como frutos maduros, roxos.
Acho-te no frio
que a maresia empresta,
nas vagas
selvagens, salgadas.
Acho-te em cada olhar,
procurando o mais além,
nas águas tímidas
vertidas de olhos perdidos.
Acho-te nas planícies
que não alcanço,
na imensidão dos pensamentos
guardados,
Acho-te
nas folhas brancas
que esperam meus dedos,
Acho-te no cheiro
da minha pele,
onde passaste, brincando,
Acho-te
no esplendor de um dia de Sol,
no mistério das noites enluaradas,
Acho-te no sentido
da vida,
Acho-te
em todos os pedaços
que recuso perder,
Acho-te
sem te encontar,
Acho-te
e sabes-me bem.
O terminar do dia
O dia repousa do meu lado,
o lado vazio
que não preenches,
que se enche de desejos
guardados na noite;
canto baixinho
melodias inventadas,
desafino
no tremor do meu peito,
frio;
encosto-me às palavras
com que cubro
a imensa vontade
de te ter.
O dia
já adormeceu,
respira sereno,
a noite
envia a sua sombra,
senta-se no meu leito
à minha beira,
conta-me histórias,
e depois quando
o livro se acaba
e me ajeita os lençóis
na despedida,
meus olhos pedem mais,
mas a luz vai-se fechando,
não vá o dia
acordar.
o lado vazio
que não preenches,
que se enche de desejos
guardados na noite;
canto baixinho
melodias inventadas,
desafino
no tremor do meu peito,
frio;
encosto-me às palavras
com que cubro
a imensa vontade
de te ter.
O dia
já adormeceu,
respira sereno,
a noite
envia a sua sombra,
senta-se no meu leito
à minha beira,
conta-me histórias,
e depois quando
o livro se acaba
e me ajeita os lençóis
na despedida,
meus olhos pedem mais,
mas a luz vai-se fechando,
não vá o dia
acordar.
14.6.06
Para a Anaea
Frente a esta janela, quadrada,
muda,
soltam-se as tuas palavras
como toalha fina de renda
cobrindo a mesa,
que enches frugal,
preciosa.
São manjares finos,
que ofereces.
Sentado em frente,
nasce a vontade
de um faminto;
estendo meu copo,
aceito a jarra de vinho fimo
com que enches
as almas,
dessedentando
corações
envoltos na poeira
áspera do caminho.
Guardo palavras que restam
levanto a mesa,
resta uma cesta vazia
que sempre volta,
cheia e fresca
dos frutos
que o teu coração
sempre volta a escrever.
muda,
soltam-se as tuas palavras
como toalha fina de renda
cobrindo a mesa,
que enches frugal,
preciosa.
São manjares finos,
que ofereces.
Sentado em frente,
nasce a vontade
de um faminto;
estendo meu copo,
aceito a jarra de vinho fimo
com que enches
as almas,
dessedentando
corações
envoltos na poeira
áspera do caminho.
Guardo palavras que restam
levanto a mesa,
resta uma cesta vazia
que sempre volta,
cheia e fresca
dos frutos
que o teu coração
sempre volta a escrever.
Na volta do dia
Passo a soleira da porta,
cansado,
largo meus despojos,
casa a dentro,
procurando um copo
em troca
de um vinho velho
onde vase este dia.
Acendo um cigarro
que se solta no ar
em mil desenhos imaginados,
ligo-me nas melodias
que passam,
cerro os olhos,
estou diante de mim,
os pensamentos voam
em redor,
livres, inatacáveis.
cansado,
largo meus despojos,
casa a dentro,
procurando um copo
em troca
de um vinho velho
onde vase este dia.
Acendo um cigarro
que se solta no ar
em mil desenhos imaginados,
ligo-me nas melodias
que passam,
cerro os olhos,
estou diante de mim,
os pensamentos voam
em redor,
livres, inatacáveis.
Pensamentos
Impenetráveis, mudos
pensamentos,
caem nas mãos
como gotas de orvalho
rasgando a aurora,
nascem invisiveis,
de madrugada,
mansamente,
despertam,
guardando o dia.
Uns fogem
outros ficam,
dando côr às palavras
aos gestos,
vestindo as memórias.
Impenetráveis, mudos,
são a verdade que tenho,
com eles rio,
choro,
escopro e cinzel
de cada poema
com que lapido as palavras,
sementes
da vida que cresce,
e se derrama pelo mundo fora.
Impenetráveis, mudos,
fruto de mim,
da minha vontade,
espreguiçam-se
e recolhem-se bem à noite,
que o sonho
não quer ser realidade.
pensamentos,
caem nas mãos
como gotas de orvalho
rasgando a aurora,
nascem invisiveis,
de madrugada,
mansamente,
despertam,
guardando o dia.
Uns fogem
outros ficam,
dando côr às palavras
aos gestos,
vestindo as memórias.
Impenetráveis, mudos,
são a verdade que tenho,
com eles rio,
choro,
escopro e cinzel
de cada poema
com que lapido as palavras,
sementes
da vida que cresce,
e se derrama pelo mundo fora.
Impenetráveis, mudos,
fruto de mim,
da minha vontade,
espreguiçam-se
e recolhem-se bem à noite,
que o sonho
não quer ser realidade.
Paixão

I
Já não me dói o corpo, e ainda ontem jurava não sair da cama. Os meus olhos febris, vermelhos, alumiam-se como duas candeias, a chama trepitando, desafiando o vento. Vem, digo-te outra vez, desafiando o meu corpo que jura não querer mais. Sinto o teu corpo chegar, teu cheiro baila nos teus cabelos - desalinhados, lindos; e são já mãos que rolam, bocas coladas, como se a primeira vez fosse agora. Inventamo-nos, como se nunca tivesse havido princípio, e por fim, ofegantes, doridos, extenuados do prazer, olhamo-nos no prazer da espera, de querermos esperar, porque enquanto a paixão viver, haverá sempre recomeço.
II
Levantas-te da cama, não como nos filmes de classe A, onde vestes sempre a minha camisa, ou te enrolas num lençol fino de cetim. O teu corpo rola magnífico quarto a fora, as tuas coxas enfrentam a penumbra que a janela deixa entrar, e sinto-te em passos pequenos, cansados. Deixo-me ficar, quieto e mudo. Não pergunto onde vais, ou o que irás fazer. A tua nudez é a resposta que já tenho, que irás voltar aos nossos lençóis, e o frio da madrugada te fará procurar o meu corpo para te aqueceres. Grito de longe: - Traz-me um copo de água. Não respondes, apenas vens, teus seios salpicados de gotas de água, do copo cheio em excesso, ou talvez no tropeço da roupa amassada, estendida pelo quarto. Afagas a minha cabeça, quase como de um doente que necessita de ajuda, e dessedento-me em ti. Depois deitas-te, como esperava, procurando-me para te aqueceres, puxando o lençol, e oferecendo tuas costas, tuas coxas, à minha vontade. Quando me mexo, dizes baixinho - pára, vamos ficar quietos, estamos tão bem...
III
Agarro-te, sem angústias, com o à vontade que a ternura e o carinho me ditam, sinto-te serena, doce. Como dois adolescentes, as nossas mãos brincam, percorrem-se. Murmuro um poema, esperando que a memória não voe, e te possa entregar depois. Quase adormeço, meus lábios embaraçam-se nos teus cabelos, beijam teus ombros, e voltas-te, num movimento lento, deitando teus olhos em mim, sorrindo. Resgatamos os sentidos, como se nunca antes tivessem despertado - Acordamos. E somos corpo incendiado, labirintos de novos gestos inventados, searas de trigo fresco pedindo para ser colhidos, marés de Setembro cheirando a solstício, vagas rebentando em espuma branca, chegando ao areal onde nos amamos. Depois, como em qualquer Abril, derramamo-nos em chuva quente, arrefecendo nossos corpos, permanecendo amantes para o resto desta paixão.
Já não me dói o corpo, e ainda ontem jurava não sair da cama. Os meus olhos febris, vermelhos, alumiam-se como duas candeias, a chama trepitando, desafiando o vento. Vem, digo-te outra vez, desafiando o meu corpo que jura não querer mais. Sinto o teu corpo chegar, teu cheiro baila nos teus cabelos - desalinhados, lindos; e são já mãos que rolam, bocas coladas, como se a primeira vez fosse agora. Inventamo-nos, como se nunca tivesse havido princípio, e por fim, ofegantes, doridos, extenuados do prazer, olhamo-nos no prazer da espera, de querermos esperar, porque enquanto a paixão viver, haverá sempre recomeço.
II
Levantas-te da cama, não como nos filmes de classe A, onde vestes sempre a minha camisa, ou te enrolas num lençol fino de cetim. O teu corpo rola magnífico quarto a fora, as tuas coxas enfrentam a penumbra que a janela deixa entrar, e sinto-te em passos pequenos, cansados. Deixo-me ficar, quieto e mudo. Não pergunto onde vais, ou o que irás fazer. A tua nudez é a resposta que já tenho, que irás voltar aos nossos lençóis, e o frio da madrugada te fará procurar o meu corpo para te aqueceres. Grito de longe: - Traz-me um copo de água. Não respondes, apenas vens, teus seios salpicados de gotas de água, do copo cheio em excesso, ou talvez no tropeço da roupa amassada, estendida pelo quarto. Afagas a minha cabeça, quase como de um doente que necessita de ajuda, e dessedento-me em ti. Depois deitas-te, como esperava, procurando-me para te aqueceres, puxando o lençol, e oferecendo tuas costas, tuas coxas, à minha vontade. Quando me mexo, dizes baixinho - pára, vamos ficar quietos, estamos tão bem...
III
Agarro-te, sem angústias, com o à vontade que a ternura e o carinho me ditam, sinto-te serena, doce. Como dois adolescentes, as nossas mãos brincam, percorrem-se. Murmuro um poema, esperando que a memória não voe, e te possa entregar depois. Quase adormeço, meus lábios embaraçam-se nos teus cabelos, beijam teus ombros, e voltas-te, num movimento lento, deitando teus olhos em mim, sorrindo. Resgatamos os sentidos, como se nunca antes tivessem despertado - Acordamos. E somos corpo incendiado, labirintos de novos gestos inventados, searas de trigo fresco pedindo para ser colhidos, marés de Setembro cheirando a solstício, vagas rebentando em espuma branca, chegando ao areal onde nos amamos. Depois, como em qualquer Abril, derramamo-nos em chuva quente, arrefecendo nossos corpos, permanecendo amantes para o resto desta paixão.
9.6.06
Imagens
Rio aberto, azul
desagua na foz imensa
das imagens (minhas).
Cada margem é uma porta
aberta,
onde entram pedaços
únicos e raros
de gente.
Esbarro nos olhos inundados
de desejo
gestos volumosos e quentes,
voluptuosos
e um beijo,
simples, ardente
como se duas bocas fossem uma, (o rio é).
- um fino traço azul
àgua pura e cristalina
dessedentando
pequenas letras
engrossando,
arrastado em correntes
brancas, revoltas
deste poema que escrevo,
debroado a paixão -
À vista desarmada
a simplicidade de uma açucena
sustém o frémito do caudal,
e sempre como acontece
a um barqueiro
velho e temperado
aguardo a nova aurora
como um batel
que me leve...
leve,
que leve,
levemente.
desagua na foz imensa
das imagens (minhas).
Cada margem é uma porta
aberta,
onde entram pedaços
únicos e raros
de gente.
Esbarro nos olhos inundados
de desejo
gestos volumosos e quentes,
voluptuosos
e um beijo,
simples, ardente
como se duas bocas fossem uma, (o rio é).
- um fino traço azul
àgua pura e cristalina
dessedentando
pequenas letras
engrossando,
arrastado em correntes
brancas, revoltas
deste poema que escrevo,
debroado a paixão -
À vista desarmada
a simplicidade de uma açucena
sustém o frémito do caudal,
e sempre como acontece
a um barqueiro
velho e temperado
aguardo a nova aurora
como um batel
que me leve...
leve,
que leve,
levemente.
Oração
O sol já se pôs,
suavemente
rompe a terra
rumo ao céu.
O horizonte é um painel
negro, misterioso
onde cada ser se adivinha.
perguntas e palavras
sem pedirem respostas.
Entro num templo
pedindo aos pés o descanso
das caminhadas sem rumo,
que matam o tempo pouco a pouco,
dando-lhe trágico fim
de quem não sabe onde
a vida se acha.
Frente a mim,
Deus
poder supremo, feiticeiro,
mágico.
Reprimo as palavras
tentando escutar sons
que não vêm.
Diz-me Deus!
Fala-me Deus!
ridiculo desejo em modo
imperativo.
Velas ardem a homens
e mulheres, santos
alumiam e aquecem
meus olhos perdidos.
Temo, mas quero
um olhar
um toque
um perpassar de Deus,
e depois,
sossego, os pés frios,
descansam
o olhar turva-se
e as mãos
chegam-se uma á outra
suavemente
como a noite, que o sol
pôs a nú.
suavemente
rompe a terra
rumo ao céu.
O horizonte é um painel
negro, misterioso
onde cada ser se adivinha.
perguntas e palavras
sem pedirem respostas.
Entro num templo
pedindo aos pés o descanso
das caminhadas sem rumo,
que matam o tempo pouco a pouco,
dando-lhe trágico fim
de quem não sabe onde
a vida se acha.
Frente a mim,
Deus
poder supremo, feiticeiro,
mágico.
Reprimo as palavras
tentando escutar sons
que não vêm.
Diz-me Deus!
Fala-me Deus!
ridiculo desejo em modo
imperativo.
Velas ardem a homens
e mulheres, santos
alumiam e aquecem
meus olhos perdidos.
Temo, mas quero
um olhar
um toque
um perpassar de Deus,
e depois,
sossego, os pés frios,
descansam
o olhar turva-se
e as mãos
chegam-se uma á outra
suavemente
como a noite, que o sol
pôs a nú.
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