Frente a esta janela, quadrada,
muda,
soltam-se as tuas palavras
como toalha fina de renda
cobrindo a mesa,
que enches frugal,
preciosa.
São manjares finos,
que ofereces.
Sentado em frente,
nasce a vontade
de um faminto;
estendo meu copo,
aceito a jarra de vinho fimo
com que enches
as almas,
dessedentando
corações
envoltos na poeira
áspera do caminho.
Guardo palavras que restam
levanto a mesa,
resta uma cesta vazia
que sempre volta,
cheia e fresca
dos frutos
que o teu coração
sempre volta a escrever.
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
14.6.06
Na volta do dia
Passo a soleira da porta,
cansado,
largo meus despojos,
casa a dentro,
procurando um copo
em troca
de um vinho velho
onde vase este dia.
Acendo um cigarro
que se solta no ar
em mil desenhos imaginados,
ligo-me nas melodias
que passam,
cerro os olhos,
estou diante de mim,
os pensamentos voam
em redor,
livres, inatacáveis.
cansado,
largo meus despojos,
casa a dentro,
procurando um copo
em troca
de um vinho velho
onde vase este dia.
Acendo um cigarro
que se solta no ar
em mil desenhos imaginados,
ligo-me nas melodias
que passam,
cerro os olhos,
estou diante de mim,
os pensamentos voam
em redor,
livres, inatacáveis.
Pensamentos
Impenetráveis, mudos
pensamentos,
caem nas mãos
como gotas de orvalho
rasgando a aurora,
nascem invisiveis,
de madrugada,
mansamente,
despertam,
guardando o dia.
Uns fogem
outros ficam,
dando côr às palavras
aos gestos,
vestindo as memórias.
Impenetráveis, mudos,
são a verdade que tenho,
com eles rio,
choro,
escopro e cinzel
de cada poema
com que lapido as palavras,
sementes
da vida que cresce,
e se derrama pelo mundo fora.
Impenetráveis, mudos,
fruto de mim,
da minha vontade,
espreguiçam-se
e recolhem-se bem à noite,
que o sonho
não quer ser realidade.
pensamentos,
caem nas mãos
como gotas de orvalho
rasgando a aurora,
nascem invisiveis,
de madrugada,
mansamente,
despertam,
guardando o dia.
Uns fogem
outros ficam,
dando côr às palavras
aos gestos,
vestindo as memórias.
Impenetráveis, mudos,
são a verdade que tenho,
com eles rio,
choro,
escopro e cinzel
de cada poema
com que lapido as palavras,
sementes
da vida que cresce,
e se derrama pelo mundo fora.
Impenetráveis, mudos,
fruto de mim,
da minha vontade,
espreguiçam-se
e recolhem-se bem à noite,
que o sonho
não quer ser realidade.
Paixão

I
Já não me dói o corpo, e ainda ontem jurava não sair da cama. Os meus olhos febris, vermelhos, alumiam-se como duas candeias, a chama trepitando, desafiando o vento. Vem, digo-te outra vez, desafiando o meu corpo que jura não querer mais. Sinto o teu corpo chegar, teu cheiro baila nos teus cabelos - desalinhados, lindos; e são já mãos que rolam, bocas coladas, como se a primeira vez fosse agora. Inventamo-nos, como se nunca tivesse havido princípio, e por fim, ofegantes, doridos, extenuados do prazer, olhamo-nos no prazer da espera, de querermos esperar, porque enquanto a paixão viver, haverá sempre recomeço.
II
Levantas-te da cama, não como nos filmes de classe A, onde vestes sempre a minha camisa, ou te enrolas num lençol fino de cetim. O teu corpo rola magnífico quarto a fora, as tuas coxas enfrentam a penumbra que a janela deixa entrar, e sinto-te em passos pequenos, cansados. Deixo-me ficar, quieto e mudo. Não pergunto onde vais, ou o que irás fazer. A tua nudez é a resposta que já tenho, que irás voltar aos nossos lençóis, e o frio da madrugada te fará procurar o meu corpo para te aqueceres. Grito de longe: - Traz-me um copo de água. Não respondes, apenas vens, teus seios salpicados de gotas de água, do copo cheio em excesso, ou talvez no tropeço da roupa amassada, estendida pelo quarto. Afagas a minha cabeça, quase como de um doente que necessita de ajuda, e dessedento-me em ti. Depois deitas-te, como esperava, procurando-me para te aqueceres, puxando o lençol, e oferecendo tuas costas, tuas coxas, à minha vontade. Quando me mexo, dizes baixinho - pára, vamos ficar quietos, estamos tão bem...
III
Agarro-te, sem angústias, com o à vontade que a ternura e o carinho me ditam, sinto-te serena, doce. Como dois adolescentes, as nossas mãos brincam, percorrem-se. Murmuro um poema, esperando que a memória não voe, e te possa entregar depois. Quase adormeço, meus lábios embaraçam-se nos teus cabelos, beijam teus ombros, e voltas-te, num movimento lento, deitando teus olhos em mim, sorrindo. Resgatamos os sentidos, como se nunca antes tivessem despertado - Acordamos. E somos corpo incendiado, labirintos de novos gestos inventados, searas de trigo fresco pedindo para ser colhidos, marés de Setembro cheirando a solstício, vagas rebentando em espuma branca, chegando ao areal onde nos amamos. Depois, como em qualquer Abril, derramamo-nos em chuva quente, arrefecendo nossos corpos, permanecendo amantes para o resto desta paixão.
Já não me dói o corpo, e ainda ontem jurava não sair da cama. Os meus olhos febris, vermelhos, alumiam-se como duas candeias, a chama trepitando, desafiando o vento. Vem, digo-te outra vez, desafiando o meu corpo que jura não querer mais. Sinto o teu corpo chegar, teu cheiro baila nos teus cabelos - desalinhados, lindos; e são já mãos que rolam, bocas coladas, como se a primeira vez fosse agora. Inventamo-nos, como se nunca tivesse havido princípio, e por fim, ofegantes, doridos, extenuados do prazer, olhamo-nos no prazer da espera, de querermos esperar, porque enquanto a paixão viver, haverá sempre recomeço.
II
Levantas-te da cama, não como nos filmes de classe A, onde vestes sempre a minha camisa, ou te enrolas num lençol fino de cetim. O teu corpo rola magnífico quarto a fora, as tuas coxas enfrentam a penumbra que a janela deixa entrar, e sinto-te em passos pequenos, cansados. Deixo-me ficar, quieto e mudo. Não pergunto onde vais, ou o que irás fazer. A tua nudez é a resposta que já tenho, que irás voltar aos nossos lençóis, e o frio da madrugada te fará procurar o meu corpo para te aqueceres. Grito de longe: - Traz-me um copo de água. Não respondes, apenas vens, teus seios salpicados de gotas de água, do copo cheio em excesso, ou talvez no tropeço da roupa amassada, estendida pelo quarto. Afagas a minha cabeça, quase como de um doente que necessita de ajuda, e dessedento-me em ti. Depois deitas-te, como esperava, procurando-me para te aqueceres, puxando o lençol, e oferecendo tuas costas, tuas coxas, à minha vontade. Quando me mexo, dizes baixinho - pára, vamos ficar quietos, estamos tão bem...
III
Agarro-te, sem angústias, com o à vontade que a ternura e o carinho me ditam, sinto-te serena, doce. Como dois adolescentes, as nossas mãos brincam, percorrem-se. Murmuro um poema, esperando que a memória não voe, e te possa entregar depois. Quase adormeço, meus lábios embaraçam-se nos teus cabelos, beijam teus ombros, e voltas-te, num movimento lento, deitando teus olhos em mim, sorrindo. Resgatamos os sentidos, como se nunca antes tivessem despertado - Acordamos. E somos corpo incendiado, labirintos de novos gestos inventados, searas de trigo fresco pedindo para ser colhidos, marés de Setembro cheirando a solstício, vagas rebentando em espuma branca, chegando ao areal onde nos amamos. Depois, como em qualquer Abril, derramamo-nos em chuva quente, arrefecendo nossos corpos, permanecendo amantes para o resto desta paixão.
9.6.06
Imagens
Rio aberto, azul
desagua na foz imensa
das imagens (minhas).
Cada margem é uma porta
aberta,
onde entram pedaços
únicos e raros
de gente.
Esbarro nos olhos inundados
de desejo
gestos volumosos e quentes,
voluptuosos
e um beijo,
simples, ardente
como se duas bocas fossem uma, (o rio é).
- um fino traço azul
àgua pura e cristalina
dessedentando
pequenas letras
engrossando,
arrastado em correntes
brancas, revoltas
deste poema que escrevo,
debroado a paixão -
À vista desarmada
a simplicidade de uma açucena
sustém o frémito do caudal,
e sempre como acontece
a um barqueiro
velho e temperado
aguardo a nova aurora
como um batel
que me leve...
leve,
que leve,
levemente.
desagua na foz imensa
das imagens (minhas).
Cada margem é uma porta
aberta,
onde entram pedaços
únicos e raros
de gente.
Esbarro nos olhos inundados
de desejo
gestos volumosos e quentes,
voluptuosos
e um beijo,
simples, ardente
como se duas bocas fossem uma, (o rio é).
- um fino traço azul
àgua pura e cristalina
dessedentando
pequenas letras
engrossando,
arrastado em correntes
brancas, revoltas
deste poema que escrevo,
debroado a paixão -
À vista desarmada
a simplicidade de uma açucena
sustém o frémito do caudal,
e sempre como acontece
a um barqueiro
velho e temperado
aguardo a nova aurora
como um batel
que me leve...
leve,
que leve,
levemente.
Oração
O sol já se pôs,
suavemente
rompe a terra
rumo ao céu.
O horizonte é um painel
negro, misterioso
onde cada ser se adivinha.
perguntas e palavras
sem pedirem respostas.
Entro num templo
pedindo aos pés o descanso
das caminhadas sem rumo,
que matam o tempo pouco a pouco,
dando-lhe trágico fim
de quem não sabe onde
a vida se acha.
Frente a mim,
Deus
poder supremo, feiticeiro,
mágico.
Reprimo as palavras
tentando escutar sons
que não vêm.
Diz-me Deus!
Fala-me Deus!
ridiculo desejo em modo
imperativo.
Velas ardem a homens
e mulheres, santos
alumiam e aquecem
meus olhos perdidos.
Temo, mas quero
um olhar
um toque
um perpassar de Deus,
e depois,
sossego, os pés frios,
descansam
o olhar turva-se
e as mãos
chegam-se uma á outra
suavemente
como a noite, que o sol
pôs a nú.
suavemente
rompe a terra
rumo ao céu.
O horizonte é um painel
negro, misterioso
onde cada ser se adivinha.
perguntas e palavras
sem pedirem respostas.
Entro num templo
pedindo aos pés o descanso
das caminhadas sem rumo,
que matam o tempo pouco a pouco,
dando-lhe trágico fim
de quem não sabe onde
a vida se acha.
Frente a mim,
Deus
poder supremo, feiticeiro,
mágico.
Reprimo as palavras
tentando escutar sons
que não vêm.
Diz-me Deus!
Fala-me Deus!
ridiculo desejo em modo
imperativo.
Velas ardem a homens
e mulheres, santos
alumiam e aquecem
meus olhos perdidos.
Temo, mas quero
um olhar
um toque
um perpassar de Deus,
e depois,
sossego, os pés frios,
descansam
o olhar turva-se
e as mãos
chegam-se uma á outra
suavemente
como a noite, que o sol
pôs a nú.
7.6.06
Já é tarde...
Já é tarde,
quando saio avenida a dentro.
Luzes ocres derramando silêncio
esgotam a porção de dia
que o sol deixou,
nas esquinas,
Não páro,
tenho a pressa dos vagabundos
sem perguntas
nem respostas,
anima-me a música
de um botequim,
chamando-me ao último copo
que teimo em não beber.
Os meus passos
aceleram a vontade de correr,
as minhas mãos voando,
imaginárias asas
que me pedem pressa,
meu corpo
um míssil em linha recta,
desvendando atalhos,
a minha vontade
um passo à frente,
não vás tu chamar-me,
e eu
não dar por ti.
quando saio avenida a dentro.
Luzes ocres derramando silêncio
esgotam a porção de dia
que o sol deixou,
nas esquinas,
Não páro,
tenho a pressa dos vagabundos
sem perguntas
nem respostas,
anima-me a música
de um botequim,
chamando-me ao último copo
que teimo em não beber.
Os meus passos
aceleram a vontade de correr,
as minhas mãos voando,
imaginárias asas
que me pedem pressa,
meu corpo
um míssil em linha recta,
desvendando atalhos,
a minha vontade
um passo à frente,
não vás tu chamar-me,
e eu
não dar por ti.
5.6.06
Ladrão
Percorro cada rua
com a vontade de me perder.
Solto passos apressados
saboreando a brisa fria
que me envolve,
negando a força
que me empurra
de encontro a ti.
Dou por mim
na tua porta
como ladrão esquivo
penetrando sem bater,
contando que durmas
e não me queiras.
Já em teus braços
percorro-te
derramando meus beijos
no teu colo,
sussurando palavras interditas.
Os meus dedos caminham
por onde meus desejos
já estiveram,
e solto-me dentro de ti,
como onda que se quebra
no areal,
E quando o mar recua,
e o som da areia chora
dizendo adeus,
procuro novamente meus passos,
e volto à brisa fria
fechando a porta
lentamente,
sem vontade de esquecer
passos lentos, quebrados
que a luz já se acendeu
sem vontade de me achar.
com a vontade de me perder.
Solto passos apressados
saboreando a brisa fria
que me envolve,
negando a força
que me empurra
de encontro a ti.
Dou por mim
na tua porta
como ladrão esquivo
penetrando sem bater,
contando que durmas
e não me queiras.
Já em teus braços
percorro-te
derramando meus beijos
no teu colo,
sussurando palavras interditas.
Os meus dedos caminham
por onde meus desejos
já estiveram,
e solto-me dentro de ti,
como onda que se quebra
no areal,
E quando o mar recua,
e o som da areia chora
dizendo adeus,
procuro novamente meus passos,
e volto à brisa fria
fechando a porta
lentamente,
sem vontade de esquecer
passos lentos, quebrados
que a luz já se acendeu
sem vontade de me achar.
26.5.06
Estar contigo
Percorro-te com os dedos
desenhando na tua pele
sinais,
pedindo que os adivinhes,
os confesses.
Percebo-te nos sons
murmurados baixinho,
nos teus lábios vermelhos
mordidos,
insaciaveis.
Estendes teu corpo
como um barco que sai a enseada,
cruzas-te comigo
e somos a linha do horizonte,
onde o mar e o céu
se confundem,
e do teu lado,
olhamo-nos
e o nosso olhar
tem a força das memórias
de todas as nossas noites.
No fim,
mesmo antes que a lua desça
digo-te
o que sempre te digo,
foi bom
muito bom
estar assim,
contigo.
desenhando na tua pele
sinais,
pedindo que os adivinhes,
os confesses.
Percebo-te nos sons
murmurados baixinho,
nos teus lábios vermelhos
mordidos,
insaciaveis.
Estendes teu corpo
como um barco que sai a enseada,
cruzas-te comigo
e somos a linha do horizonte,
onde o mar e o céu
se confundem,
e do teu lado,
olhamo-nos
e o nosso olhar
tem a força das memórias
de todas as nossas noites.
No fim,
mesmo antes que a lua desça
digo-te
o que sempre te digo,
foi bom
muito bom
estar assim,
contigo.
19.5.06
Memórias
Abro o livro das memórias,
encontro revivido
de amores inocentes,
onde a fome e a sede
caladas,
faziam brotar de mim
a inexplicavel força
de quem ama.
Vasculho os cantos do passado,
sonhos antigos,
mulheres breves, passando,
tomadas nos beijos,
na ternura do colo
onde descansei meus olhos.
Passo as páginas de cada amor
relembro finais anunciados
em tardes de ausência,
lugares onde me perdi,
correndo cada palavra
de poemas nunca terminados,
procurando o poema
nunca entregue,
que nunca pude escrever.
Chega-me à memória
imagens do futuro
que o passado já mostrou:
E são desejos
que não passaram de desejos,
ses,
talvez,
porquês,
inundam-me na procura
que me toma,
e torno a ti,
nos dias que ainda não nasceram,
nas palavras guardadas,
nas sensações breves,
nos gestos contidos.
Encerro esse livro das memórias
dobrando o canto
de uma página alva
virgem,
onde voltarei talvez
e um dia escreverei
o poema
que dirá de ti.
encontro revivido
de amores inocentes,
onde a fome e a sede
caladas,
faziam brotar de mim
a inexplicavel força
de quem ama.
Vasculho os cantos do passado,
sonhos antigos,
mulheres breves, passando,
tomadas nos beijos,
na ternura do colo
onde descansei meus olhos.
Passo as páginas de cada amor
relembro finais anunciados
em tardes de ausência,
lugares onde me perdi,
correndo cada palavra
de poemas nunca terminados,
procurando o poema
nunca entregue,
que nunca pude escrever.
Chega-me à memória
imagens do futuro
que o passado já mostrou:
E são desejos
que não passaram de desejos,
ses,
talvez,
porquês,
inundam-me na procura
que me toma,
e torno a ti,
nos dias que ainda não nasceram,
nas palavras guardadas,
nas sensações breves,
nos gestos contidos.
Encerro esse livro das memórias
dobrando o canto
de uma página alva
virgem,
onde voltarei talvez
e um dia escreverei
o poema
que dirá de ti.
18.5.06
Distância
Percorro o caminho
que a vida me traça,
abro os braços
calculo a distância
que o mundo me impõe
e encontro-te
na interminavel noite
onde a ausência
me abraça
e uma porta entreaberta
pergunta -
Quando vens?
Desejo-te
Na distância das nossas mãos
separadas,
nas vontades caladas
murmurando encontros
cegos
às vistas desarmadas,
longe.
Mato a distância
sentindo teu peito
batendo dentro de mim,
no desejo
de nos termos,
sussurrando
palavras nuas, breves
que não bastam - distantes;
histórias breves
sem fim
de uma paixão
sem tempo,
que um dia
acabaremos por contar.
que a vida me traça,
abro os braços
calculo a distância
que o mundo me impõe
e encontro-te
na interminavel noite
onde a ausência
me abraça
e uma porta entreaberta
pergunta -
Quando vens?
Desejo-te
Na distância das nossas mãos
separadas,
nas vontades caladas
murmurando encontros
cegos
às vistas desarmadas,
longe.
Mato a distância
sentindo teu peito
batendo dentro de mim,
no desejo
de nos termos,
sussurrando
palavras nuas, breves
que não bastam - distantes;
histórias breves
sem fim
de uma paixão
sem tempo,
que um dia
acabaremos por contar.
12.5.06
Clandestino
Guardo desejos
mascarados de segredos,
- apenas tu sabes
que os gestos
e o olhar
são testemunhas
desta fome incontrolada
de te querer.
As palavras correm
livres,
levam-me neste sonho
pastor das minhas mãos
prontas a desgarrarem-se
em ti.
És livro proíbido
escondido
num recanto,
onde cada folha
tem memórias e sabores
que não se podem recitar.
Restam histórias,
pedaços dos momentos
que nascem clandestinos,
breves, intensos.
Depois olhamo-nos,
despimo-nos,
fazendo o corpo tremer,
ao ritmo
de quem se segura
nos dias de todas as horas,
onde sabemos
nunca aportar.
mascarados de segredos,
- apenas tu sabes
que os gestos
e o olhar
são testemunhas
desta fome incontrolada
de te querer.
As palavras correm
livres,
levam-me neste sonho
pastor das minhas mãos
prontas a desgarrarem-se
em ti.
És livro proíbido
escondido
num recanto,
onde cada folha
tem memórias e sabores
que não se podem recitar.
Restam histórias,
pedaços dos momentos
que nascem clandestinos,
breves, intensos.
Depois olhamo-nos,
despimo-nos,
fazendo o corpo tremer,
ao ritmo
de quem se segura
nos dias de todas as horas,
onde sabemos
nunca aportar.
Depois do Amor
Embalados no suave torpor
da fadiga,
encontro-te na minha pele,
e teus olhos
indefesos,
agarram os meus
num refrão incessante
que não quer terminar.
Colada ao meu corpo,
estremecendo,
construímos as carícias
que a pressa do desejo
esquecera.
Caem pelo teu rosto
as lágrimas doces,
felizes,
que eu bebo
nos beijos com que afago
teus olhos,
perdidos
sabendo a bonança.
Fica uma música
que vem de dentro
de ti
onde me encosto
e embalo,
resgatando teu regaço
doce
onde me deixo ficar.
da fadiga,
encontro-te na minha pele,
e teus olhos
indefesos,
agarram os meus
num refrão incessante
que não quer terminar.
Colada ao meu corpo,
estremecendo,
construímos as carícias
que a pressa do desejo
esquecera.
Caem pelo teu rosto
as lágrimas doces,
felizes,
que eu bebo
nos beijos com que afago
teus olhos,
perdidos
sabendo a bonança.
Fica uma música
que vem de dentro
de ti
onde me encosto
e embalo,
resgatando teu regaço
doce
onde me deixo ficar.
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