Embalados no suave torpor
da fadiga,
encontro-te na minha pele,
e teus olhos
indefesos,
agarram os meus
num refrão incessante
que não quer terminar.
Colada ao meu corpo,
estremecendo,
construímos as carícias
que a pressa do desejo
esquecera.
Caem pelo teu rosto
as lágrimas doces,
felizes,
que eu bebo
nos beijos com que afago
teus olhos,
perdidos
sabendo a bonança.
Fica uma música
que vem de dentro
de ti
onde me encosto
e embalo,
resgatando teu regaço
doce
onde me deixo ficar.
As palavras, revelam pensamentos. Os pensamentos revelam a alma, e cada alma, o verdadeiro ser que faz deste mundo um constante devir...
12.5.06
9.5.06
Guerras
A guerra assoma e foge,
o sol queima impiedoso
cada corpo,
os rostos - estátuas de sal
onde apenas as lágrimas
são mais secas
que a água ausente.
os olhos fundos, resignados
inertes, as mãos caídas
vazias.
uma capa negra
dada pela morte
serve de agasalho
quando chega o frio agudo
que corta.
E a guerra assoma e foge.
Deixa aos colos das mães
esqueletos de amor,
filhos frios
de carícias nunca havidas,
E a guerra assoma e foge.
Com ela
barrigas amplas, contentes,
malas cheias de soldados cadaveres,
gravatas e óculos emproados,
sereias de costumes,
recolhem-se ao seu regaço
e gozam em delírios
contidos e secretos.
E a guerra assoma e foge,
recarregando a baioneta
que trespassa as nossas vidas.
A guerra assoma
nós morremos.
o sol queima impiedoso
cada corpo,
os rostos - estátuas de sal
onde apenas as lágrimas
são mais secas
que a água ausente.
os olhos fundos, resignados
inertes, as mãos caídas
vazias.
uma capa negra
dada pela morte
serve de agasalho
quando chega o frio agudo
que corta.
E a guerra assoma e foge.
Deixa aos colos das mães
esqueletos de amor,
filhos frios
de carícias nunca havidas,
E a guerra assoma e foge.
Com ela
barrigas amplas, contentes,
malas cheias de soldados cadaveres,
gravatas e óculos emproados,
sereias de costumes,
recolhem-se ao seu regaço
e gozam em delírios
contidos e secretos.
E a guerra assoma e foge,
recarregando a baioneta
que trespassa as nossas vidas.
A guerra assoma
nós morremos.
Na margem de um rio
Pelos sons do rádio,
correm melodias doces
à nossa frente.
O rio corre,
as luzes paradas
no outro lado da margem
iluminam-nos,
e sabe bem o silêncio
que as nossas mãos fazem
entrelaçadas,
falando,
como um jogo de adivinhar,
onde sempre acertamos
quando as nossas bocas
se abrem
e te recebo
e tu me recebes,
trocando uma paixão
ainda envergonhada,
ainda construída
à custa de desejos incompletos.
As minhas mãos
viajam pelo teu corpo,
com a velocidade
de te querer.
Descubro-te,
e no mesmo instante
és tu que me descobres
roubando ao meu corpo
tudo o que sempre quiseste.
Um cigarro ao final
devolve-nos à musica
e ao rio
que não pára de correr.
as luzes
longe, trazem a outra margem,
reflectem
nossos olhos falando
num último abraço,
guardando
o que resta de nós
correm melodias doces
à nossa frente.
O rio corre,
as luzes paradas
no outro lado da margem
iluminam-nos,
e sabe bem o silêncio
que as nossas mãos fazem
entrelaçadas,
falando,
como um jogo de adivinhar,
onde sempre acertamos
quando as nossas bocas
se abrem
e te recebo
e tu me recebes,
trocando uma paixão
ainda envergonhada,
ainda construída
à custa de desejos incompletos.
As minhas mãos
viajam pelo teu corpo,
com a velocidade
de te querer.
Descubro-te,
e no mesmo instante
és tu que me descobres
roubando ao meu corpo
tudo o que sempre quiseste.
Um cigarro ao final
devolve-nos à musica
e ao rio
que não pára de correr.
as luzes
longe, trazem a outra margem,
reflectem
nossos olhos falando
num último abraço,
guardando
o que resta de nós
Encontro com a morte
Havia naquele dia, um murmúrio estranho, que inundava as ruas, quase como a cidade tivesse ficado despida, nua. Não havia troca de olhares, cada um passava célere, envergonhado, enterrando-se pelo pescoço, curvando-se como se o vento vergasse as costas, e o mundo pesasse todo, em cada um.
Eram mil imagens a correr por segundo, mudas, em que cada um fabricava o seu próprio argumento, e cada gesto tinha de ser soletrado e imaginado.
Nas praças, os velhos de olhar perdido, sorriam. Miravam como sempre miram quem passa, e sem nada dizer,deitavam as cartas uns aos outros, no mesmo murmúrio, que ecoava em todos. Havia cheiro a memórias, e os passos descolavam do chão, sem deixar rasto nem som.
Subitamente, um vulto abraçou toda a praça, olhos escondidos, sem formas que pudessem revelar qualquer sinal, e num instante, todos recuaram para a deixar passar. Um braço, fino, cortante, tal qual um sabre estendido, ergueu-se e apontou na minha direção. Qual cachorro dócil e obediente, corri para ela. E à medida que me cheguei, num gesto voluptuoso, enorme, foram caíndo as suas vestes, seus olhos iluminando-se, os seus braços enormes preparando-se para um abraço eterno. A minha hora chegara.
E quando por fim me uni a ela, todos os sons e imagens, dispararam como uma máquina que volta a fazer o que sempre fez.
Os velhos, nada disseram, mas as cartas continuaram a ser deitadas, os sorrisos voltaram aos rostos, e cada passo, e cada gesto, e cada corpo, ecoou na praça, sabendo que lhe era permitido continuar.
Eu de mão dada com ela parti. Boa morte que me levou e deixou o Mundo à espera do seu dia.
Eram mil imagens a correr por segundo, mudas, em que cada um fabricava o seu próprio argumento, e cada gesto tinha de ser soletrado e imaginado.
Nas praças, os velhos de olhar perdido, sorriam. Miravam como sempre miram quem passa, e sem nada dizer,deitavam as cartas uns aos outros, no mesmo murmúrio, que ecoava em todos. Havia cheiro a memórias, e os passos descolavam do chão, sem deixar rasto nem som.
Subitamente, um vulto abraçou toda a praça, olhos escondidos, sem formas que pudessem revelar qualquer sinal, e num instante, todos recuaram para a deixar passar. Um braço, fino, cortante, tal qual um sabre estendido, ergueu-se e apontou na minha direção. Qual cachorro dócil e obediente, corri para ela. E à medida que me cheguei, num gesto voluptuoso, enorme, foram caíndo as suas vestes, seus olhos iluminando-se, os seus braços enormes preparando-se para um abraço eterno. A minha hora chegara.
E quando por fim me uni a ela, todos os sons e imagens, dispararam como uma máquina que volta a fazer o que sempre fez.
Os velhos, nada disseram, mas as cartas continuaram a ser deitadas, os sorrisos voltaram aos rostos, e cada passo, e cada gesto, e cada corpo, ecoou na praça, sabendo que lhe era permitido continuar.
Eu de mão dada com ela parti. Boa morte que me levou e deixou o Mundo à espera do seu dia.
4.5.06
Memória de uma noite
Nem a madrugada se despedira,
quando um raio de sol
espreitou o meu quarto
e descobriu,
tuas coxas encobertas
pelo cetim
que a noite trouxe.
Tinhas um sorriso
guardado no rosto
desenhado pela memória breve
onde descansavas.
Quis-te
com as mãos suspensas
do desejo
de te voltar a ter,
e meus olhos passaram
o leito a pente fino,
procurando as histórias
de uma noite
como nenhuma antes houvera.
Toquei-te,
e o desejo acendeu-se,
teus olhos semi abertos
arderam na procura
e senti teus seios
colados ao meu peito,
teus cabelos
subindo pelos meus braços,
inventando amor
em palavras roucas,
sussurradas em cada som,
em cada arfejo.
Rimos e rolámos
amor a fora.
Chorámos -
o choro dos momentos felizes
que a vida às vezes oferece.
Depois foram
cavalgadas audazes à força de nos
querermos,
e foram palavras obscenas
que cheiravam a poemas
e corpos, os nossos dois,
entroncados num só.
Já tarde,
o sol chamando,
entregámo-nos num último beijo,
até nos querermos mais.
quando um raio de sol
espreitou o meu quarto
e descobriu,
tuas coxas encobertas
pelo cetim
que a noite trouxe.
Tinhas um sorriso
guardado no rosto
desenhado pela memória breve
onde descansavas.
Quis-te
com as mãos suspensas
do desejo
de te voltar a ter,
e meus olhos passaram
o leito a pente fino,
procurando as histórias
de uma noite
como nenhuma antes houvera.
Toquei-te,
e o desejo acendeu-se,
teus olhos semi abertos
arderam na procura
e senti teus seios
colados ao meu peito,
teus cabelos
subindo pelos meus braços,
inventando amor
em palavras roucas,
sussurradas em cada som,
em cada arfejo.
Rimos e rolámos
amor a fora.
Chorámos -
o choro dos momentos felizes
que a vida às vezes oferece.
Depois foram
cavalgadas audazes à força de nos
querermos,
e foram palavras obscenas
que cheiravam a poemas
e corpos, os nossos dois,
entroncados num só.
Já tarde,
o sol chamando,
entregámo-nos num último beijo,
até nos querermos mais.
2.5.06
Retrato
Os pensamentos são tão meus
são tão de dentro de mim,
pegados à pele, exalam,
toda a verdade que sou;
Moldo, torço
esventro,
esculpo, invento cores - pinto
O retrato é sempre
crú e simples.
mesmo defronte do espelho
em que me afronto.
Rio, choro,
mudo
aterrado,
Sou eu ali defronte,
Sou eu lá e cá.
Não finjo, nem faço pose..
Apenas sou
O que penso...
são tão de dentro de mim,
pegados à pele, exalam,
toda a verdade que sou;
Moldo, torço
esventro,
esculpo, invento cores - pinto
O retrato é sempre
crú e simples.
mesmo defronte do espelho
em que me afronto.
Rio, choro,
mudo
aterrado,
Sou eu ali defronte,
Sou eu lá e cá.
Não finjo, nem faço pose..
Apenas sou
O que penso...
Um momento

foto de LuisRossa
Fazia tempo que não aparecias. Passava tantas vezes por ali. Às vezes com a vontade surda, as pernas querendo estacar, os olhos passando cada rosto, procurando por dentro dos olhos, a mesma vontade que trazia. Nem vivalma. Todos seguiam o seu caminho, como se dissessem, na sua impavidez - já tenho, não quero.
Depois, partia por onde o corpo quisesse, sem vontade de parar, sem vontade de nada, deixando o tempo correr, ao ritmo de cada cigarro consumido, de cada copo esvaziado. Não te via, em nada, nem nas letras, nem nas músicas. Queria desistir, mas era mais forte que eu a vontade do vento, em fazer da minha vontade - veleiro, onde pouco resta, senão segurar o leme, e descer velas que soltam o desejo.
Julguei estar no porto mais seguro, a que alguma vez tinha atracado. Já estivara a carga, as velas descidas, a âncora funda e calcada, na vergonha de um barco parado, as cordas bem seguras ao cais da minha conformação.
Passaste, com os olhos frescos da manhã, e na tua pele, vinha o canto do desejo, as tuas mãos carentes de viagens, que querias dar, e chamaste-me, como uma sereia chama um marinheiro, que mesmo não querendo, ruma célere à ilha da vontade.
Na tua boca, trazias o beijo que eu queria selar, no teu corpo, a esteira onde me queria deitar, nos teus olhos, o desejo de uma noite para além da madrugada, onde ficassemos nús e mudos, velando pelo fogo trepitando.
Não pediste cetim, nem velas perfumadas, quiseste apenas a rudeza de um desejo imaginado, e eu, contigo, quis apenas guardar-te, como se guarda um momento na memória, sem passado nem futuro. Deixamos as palavras soltas pelos cantos, como as tuas roupas, caídas à medida da ternura que te entreguei, e fomos suor e àgua, e fomos amantes eternos de um momento único, onde rolamos no leito, incendiando os lábios, apagando a sede nos teus seios fartos, magnânimes, nas tuas coxas serenas, macias, no teu cabelo cheirando ao trigo por mondar.
Deixei-te, ainda dormias. Vi-te estendendo as mãos, procurando o que já terminara. Desejei-te uma vez mais, mas segui, como quem segue o seu destino, ao leme de um veleiro, apenas desejando vento, para aportar a outro cais.
Fica, meu bom desejo, fica. Procura-me nos teus sonhos, e fica, fica... O vento um dia pode mudar, quem sabe, e ao longe, na entrada da baía, estarei sempre eu, querendo que tu esperes, querendo que não queiras, mais que um momento, apenas para guardar.
Os dias desta idade
Velozes vão os dias
desta idade
e o tempo não me ensina
a demorar.
Nas coisas mais simples
nas horas mais longas
nos gestos que a vida
não guarda na memória.
A vida corre nas histórias
nos momentos selados
com um beijo
mãos que se estendem
implorando.
Há olhos molhados incessantes
errando na procura
e vidas tão normais
com o cheiro da tristeza
entranhados
e nos vagos momentos da ausência
os pensamentos
como carros à noite
fugindo antes que cheguem
chegando de fugida.
E quando ao raiar
das vésperas
me sento
e os olhos se fecham
doridos de tantos olhares
permanece o som da viagem
que não tem volta
e o fresco certo da madrugada
eternamente brilhando
desta idade
e o tempo não me ensina
a demorar.
Nas coisas mais simples
nas horas mais longas
nos gestos que a vida
não guarda na memória.
A vida corre nas histórias
nos momentos selados
com um beijo
mãos que se estendem
implorando.
Há olhos molhados incessantes
errando na procura
e vidas tão normais
com o cheiro da tristeza
entranhados
e nos vagos momentos da ausência
os pensamentos
como carros à noite
fugindo antes que cheguem
chegando de fugida.
E quando ao raiar
das vésperas
me sento
e os olhos se fecham
doridos de tantos olhares
permanece o som da viagem
que não tem volta
e o fresco certo da madrugada
eternamente brilhando
27.4.06
Era ainda madrugada
Quando te olhei,
teu corpo brilhava
serenamente exausto
tuas mãos envolvendo teu ventre
sorrindo num sonho
que seria meu tambem?
toquei-te
como os amantes se tocam,
o calor do teu corpo
pousou no meu peito
pulsámos num só bater
e nossas mãos
foram testemunhas
dos gestos maiores
que só o amor desenha.
Era já manhã
Lá fora vivia a cidade.
teu corpo brilhava
serenamente exausto
tuas mãos envolvendo teu ventre
sorrindo num sonho
que seria meu tambem?
toquei-te
como os amantes se tocam,
o calor do teu corpo
pousou no meu peito
pulsámos num só bater
e nossas mãos
foram testemunhas
dos gestos maiores
que só o amor desenha.
Era já manhã
Lá fora vivia a cidade.
26.4.06
Historia de uma flor amarela e de um poeta
O dia começava a abrir no firmamento. A noite tinha-se retirado cansada, abrindo a boca, e o Sol de cara lavada e sorriso fresco, começava a romper por entre algumas nuvens que o tentavam, para uma brincadeira ao esconde-esconde que o Sol não estava muito disposto nesse dia. Cá em baixo, o jardim começava a levantar-se. Os cisnes penteavam impávidos, as suas penas, enquanto os pardais saltavam já de galho em galho, alegres e barulhentos, chilreando bons dias para cá e para lá, como se fossem donos de tudo.
Mais abaixo, nos canteiros, as margaridas e os girassóis abriam-se ligeiros, emprestando aos meninos que iam aparecendo, umas faces mais rosadas, e às avós que os olhavam e lhes seguravam as imprudências, uma paz mais côr de Primavera, que lhes ficava tão bem por baixo dos chapéus de palhinha com fitas de seda.
De súbito todo o jardim se alvoroçou. As magnólias e os malmequeres, juntaram-se com o medo, as rosas que se tinham dístraído com um par de namorados, tiraram o seu ar cupídico, e até os pardais subiram aos galhos mais altos,
ficando prontos a sair dali. Tinha chegado o Rufino. A galinha Zefa, chamou quase em pranto os pintos, pois sabia o que tinha acontecido a dois deles, por não ter acreditado nas histórias que tinham contado do petiz.
Rufino chegara. Na mão, uma bela bola de plástico vermelha e azul, e à cintura a fisga, a mesma que aleijara um belo rouxinol, que desde aí, nunca mais viera cantar ao jardim, onde durante tantos dias, Geninha, a mais linda cotovia da cidade o esperava e o ouvia encantada, apaixonada daqueles trinados.
Claro que todos os meninos e avós, que se sentavam nos bancos do jardim não percebiam toda a correria e aflição dos habitantes do jardim. Uma vez, Mestre Mocho que percebia muito de leis, propôs fazer queixa no tribunal, mas tanto o ganso Gilberto, como a Lóló tinham sido corridos de lá à vassourada por um senhor de fato preto, que se indignou com a sua presença na sala. Não, ninguém os percebia, e assim até já tinham pensado em fazer greve, para mostrar como estavam zangados, mas nem assim dera resultado.
Com todo este alvoroço, ninguém tinha dado pela chegada de uma personagem nova ao jardim. Mãos atrás das costas, uma pasta, não igual àquelas que alguns carregavam à hora do meio-dia, quando o Sol está bem alto iluminando tudo, mas diferente, cheia de papel branquinho e com dois lápis bem aguçados. De mãos atrás das costas ia mirando tudo, olhando cada flor, cada galho, cada bichinho, como se só ele existisse, e depois sentou-se no ultimo banco do jardim, defronte da flor mais pobre do jardim, que por sorte ainda ali estava, esperando que o jardineiro, ou mesmo a gata Lóló a espezinhasse. Estranho este homem.
Ele sentou-se, mas antes ainda, tirou o chapéu a saudar a flor amarela, encostada a grande àrvore que fazia a sombra agradável àquele banco.
- Bom dia minha flor.
- Viva, que bom ter chegado, é novo aqui?
- Cheguei hoje, chamam-me poeta e vim ver o jardim, mas reparo que está tudo muito aflito, que há?
- Nem queira saber, chegou o Rufino, e quando ele chega, acaba-se a paz neste jardim.
- Desculpa florzinha, mas parece que para nos entendermos melhor é bom nos tratarmos por tu, e que eu saiba o teu nome. Ou não queres confiança?
- De modo nenhum poeta, sinto-me muito honrada com a tua amizade. Eu chamo-me flor amarela, nunca me chamaram outra coisa, só se quiseres inventar outro nome, queres?
- Até que não é mal visto, ora deixa-me pensar. O Poeta levantou-se, coçou a orelha, olhou a flor que de pétalas espantadas o olhava,e de repente disse:
- Que tal , ... Olhos de Sol?
- É bonito, mas é difícil de dizer, não achas?
- Que seja, mas para coisas com menos beleza, já vi palavras muito mais difíceis.
- Umh! Também acho, disse a flor, corando. O que lhe valeu é que ninguém nota isso nas flores.
- Pois minha estimada Olhos de Sol, vamos agora ao mais grave do assunto. Quem é o Rufino?
- Olha , tem menos dois palmos de caule que tu.
- De quê?!!!
- A flor olhou-o entristecido e perguntou: - Não me digas que não me consegues entender?
- Sinceramente essa do caule, não.
- Pois é, ou nós falamos a linguagem de vocês ...
- Ah sim! Agora te entendo, perdoa a minha ignorância.
- Ainda bem que entendeste sem eu te explicar tudo. É que nós também não percebemos tanta coisa vossa, e ninguém nos explica...
- Por exemplo? Atalhou o Poeta;
- A vossa palavra poluição, nós sempre lhe chamámos egoísmo, morte.
- Como era bom que nós, os homens te entendessemos, talvez estivessemos todos
muito melhor. Pois minha princesa, conta comigo para trazer à razão o Rufino.
- A qual razão?
- À vossa, evidentemente.
- Bonita conversa, resmungou uma voz grave e pesada por detrás do Poeta.
- Quem falou? Ficaste rouca, Olhos de Sol?
- Oh! Oh! Oh! Sorriu gravemente a mesma voz; não, não é a tua amiga, sou eu o Carvalho grande. Nem deste por mim, que sou vinte vezes maior que tu?
- Peço desculpa, disse respeitosamente a flor, não tive tempo de te apresentar o nosso avô.
- Muito prazer, disse embaraçado o Poeta. Afinal este jardim não é tão pequeno como eu pensava, tem o Mundo cá dentro.
- Essa agora não percebi, disseram em coro as plantas.
- Bem sorriu o poeta, o que eu quis dizer...
- O que quiseste dizer, foi que a poesia é viva aqui, não é? - grasnou o Gilberto que corria para ali.
- Muito bem,disse o poeta,que intelegência,como te chamas?
- Gilberto,pato bravo,manso de coração.
- Tens coração?
- Não me chamo Rufino,respondeu indignado.
- Que sensibilidade,todos vós estais assim cientes do que sois?
- Temos tarefas difinidas,sabes? Aqui no jardim,contribuímos uns para os outros,sem presisar de outro governo que o Sol e a Chuva,aNoite e o Dia,às estações do ano. O que queremos é a felecidade do mundo,porque é assim que aprendemos a ser felizes. Felizmente ninguém quer ser Rufino entre nós ,porque só tem valor o que cada um dá, e nenhum, o que se faz em prejuízo dos outros.
- Bravo,aplaudiu o Carvalho, belo discurso esse, saído das tuas penas,de dentro delas.
- Mas enquanto estamos nós aqui muito palradores, estão as nossas amigas aflitas do outro lado, olhem como a bola as estraga. E o pardalinho a fugir.
- O poeta que tinha estado com muita atenção à conversa, levantou-se e disse:
- Eu vou tratar de pôr aquele na ordem.
- Como vais fazer?
- Assim não queremos , disseram todos.
- Talvez, uma estalada?
- Idiota,disse o Gilberto. Nós não queremos que o trates mal, como ele nos faz. Nós queremos o Rufino nosso amigo.
- Então?
- Então, dizemos nós . És tu poeta ...
- Digam lá então?
- O que queremos é que vires toda a energia e alegria do Rufino a favor do Mundo, que lhes digas que nós tambem temos coração.
- Como estou longe da minha poesia, murmurou para si o poeta, com um olhar tão triste que comoveu toda aquela vida que ali se encontrava.
- Se te encontras tão triste, é porque agora te dás conta da tua pobreza, disse o Carvalho, mas olha - continuou - nunca é tarde para começar. Repara que às vezes, é depois de uma flor secar, que crescem outras ainda mais bonitas, e afinal a poesia é um sonho que pode não ser tão real como nós queremos. No entanto é verdade a poesia, ou não estás a falar com a gente?
- Sim, sim - disse Olhos de Sol - tu és bom. Vamos é agora é resolver o que está mal, porque me cheira que amanhã vou abrir mais feliz as minhas pétalas.
- Totalmente de acordo - rosnou doce a Lóló - amanhã vai ser muito melhor, talvez até agora aceite casar com o Xavier, o gato que mora ali em frente.
- Peneiras, grasnou o Gilberto, peneiras, e afastou-se dando ao rabinho, vaidoso de tão branco que era.
- Não lhe liguem, disse o Carvalho, agora és tu Poeta.
- Fale avô, que quer que eu faça?
- Bem, nada como o mestre Mocho para te explicar. Vou mandar alguém chamá-lo. Naquele instante passou a borboleta Conchinha, muito apressada para o almoço, e enquanto se afastava ía dizendo:
- Eu acordo-o, ainda me sobra um minutinho se eu for mais a direito.
- Obrigado querida - disse Olhos de Sol.
O Poeta sentou-se de novo. Pegou no papel e na caneta. Depois olhou para o jardim todo, sorriu à flor amarela, e começou a escrever:Encontrei num pedaço de mundo
riqueza tão grandiosa
que se chama Natureza
perfeição harmoniosa.
A Flor que tinha aprendido a ler nos bocados de papéis que voavam pelo jardim, espreitou de soslaio aquela quadra, e disse-lhe:
- Desculpa, mas achas essa quadra gira?
- E tu, minha flor malandrinha, tinhas de espreitar o que estou a fazer?
- Não, mas como ouvi dizer que para os amigos não há segredos ...
- Bem, eu tambem acho, mas a verdade é que ainda estava a trabalhar nisto.
- Ora, eu quando faço as coisas, tenho de fazer logo à primeira, e bem.
- Pois - comentou o Carvalho - é nisso que os homens são felizes. Têm dois poderes dados por Deus: - serem livres de modificar as coisas, e inteligência para saber usar esse poder.
- Então olha que o usam muito mal - comentou o mocho que entretanto chegara.
- Tens razão, professor - disse o corvo André que tinha vindo com ele.
- Bem, afinal porque é que me acordaram?
- Queria que conhecesses o poeta, ele está disposto a transformar o Rufino.
- Ainda bem. Mas digo-te, não é facil. No entanto estou cá a pensar que poderemos confiar em ti. O problema do Rufino é falta de poesia. Achas que lhe podes dar da tua?
- Claro, a que for preciso.
- Mas tem de ser ele a aceitar - disse gravemente o mestre Mocho, e acrescentou
- ele não sabe falar connosco, tens de ensiná-lo.
- Bem, vou pôr-me a caminho, até breve.
II - O POETA E O RUFINO
Rufino lá estava, olhos muito azuis, cabelo solto côr de avelã, faces estougueadas da correria. Saltava por tudo o que era sítio, com a bola ora nas mãos, ora nos pés, não dando importância onde ela fosse cair, se na cabeça da avó que se enganava a contar as malhas, se no cesto que vinha da praça. Rufino queria era saltar. De repente parou. Olhava muito interessado para o cimo de uma àrvore, depois agachou-se, e pé ante pé correu para debaixo dela, retirando do bolso uma fisga. Um pouco mais, e lá iria outro passarinho.
De súbito todo o jardim se alvoroçou. As magnólias e os malmequeres, juntaram-se com o medo, as rosas que se tinham dístraído com um par de namorados, tiraram o seu ar cupídico, e até os pardais subiram aos galhos mais altos,
ficando prontos a sair dali. Tinha chegado o Rufino. A galinha Zefa, chamou quase em pranto os pintos, pois sabia o que tinha acontecido a dois deles, por não ter acreditado nas histórias que tinham contado do petiz.
Rufino chegara. Na mão, uma bela bola de plástico vermelha e azul, e à cintura a fisga, a mesma que aleijara um belo rouxinol, que desde aí, nunca mais viera cantar ao jardim, onde durante tantos dias, Geninha, a mais linda cotovia da cidade o esperava e o ouvia encantada, apaixonada daqueles trinados.
Claro que todos os meninos e avós, que se sentavam nos bancos do jardim não percebiam toda a correria e aflição dos habitantes do jardim. Uma vez, Mestre Mocho que percebia muito de leis, propôs fazer queixa no tribunal, mas tanto o ganso Gilberto, como a Lóló tinham sido corridos de lá à vassourada por um senhor de fato preto, que se indignou com a sua presença na sala. Não, ninguém os percebia, e assim até já tinham pensado em fazer greve, para mostrar como estavam zangados, mas nem assim dera resultado.
Com todo este alvoroço, ninguém tinha dado pela chegada de uma personagem nova ao jardim. Mãos atrás das costas, uma pasta, não igual àquelas que alguns carregavam à hora do meio-dia, quando o Sol está bem alto iluminando tudo, mas diferente, cheia de papel branquinho e com dois lápis bem aguçados. De mãos atrás das costas ia mirando tudo, olhando cada flor, cada galho, cada bichinho, como se só ele existisse, e depois sentou-se no ultimo banco do jardim, defronte da flor mais pobre do jardim, que por sorte ainda ali estava, esperando que o jardineiro, ou mesmo a gata Lóló a espezinhasse. Estranho este homem.
Ele sentou-se, mas antes ainda, tirou o chapéu a saudar a flor amarela, encostada a grande àrvore que fazia a sombra agradável àquele banco.
- Bom dia minha flor.
- Viva, que bom ter chegado, é novo aqui?
- Cheguei hoje, chamam-me poeta e vim ver o jardim, mas reparo que está tudo muito aflito, que há?
- Nem queira saber, chegou o Rufino, e quando ele chega, acaba-se a paz neste jardim.
- Desculpa florzinha, mas parece que para nos entendermos melhor é bom nos tratarmos por tu, e que eu saiba o teu nome. Ou não queres confiança?
- De modo nenhum poeta, sinto-me muito honrada com a tua amizade. Eu chamo-me flor amarela, nunca me chamaram outra coisa, só se quiseres inventar outro nome, queres?
- Até que não é mal visto, ora deixa-me pensar. O Poeta levantou-se, coçou a orelha, olhou a flor que de pétalas espantadas o olhava,e de repente disse:
- Que tal , ... Olhos de Sol?
- É bonito, mas é difícil de dizer, não achas?
- Que seja, mas para coisas com menos beleza, já vi palavras muito mais difíceis.
- Umh! Também acho, disse a flor, corando. O que lhe valeu é que ninguém nota isso nas flores.
- Pois minha estimada Olhos de Sol, vamos agora ao mais grave do assunto. Quem é o Rufino?
- Olha , tem menos dois palmos de caule que tu.
- De quê?!!!
- A flor olhou-o entristecido e perguntou: - Não me digas que não me consegues entender?
- Sinceramente essa do caule, não.
- Pois é, ou nós falamos a linguagem de vocês ...
- Ah sim! Agora te entendo, perdoa a minha ignorância.
- Ainda bem que entendeste sem eu te explicar tudo. É que nós também não percebemos tanta coisa vossa, e ninguém nos explica...
- Por exemplo? Atalhou o Poeta;
- A vossa palavra poluição, nós sempre lhe chamámos egoísmo, morte.
- Como era bom que nós, os homens te entendessemos, talvez estivessemos todos
muito melhor. Pois minha princesa, conta comigo para trazer à razão o Rufino.
- A qual razão?
- À vossa, evidentemente.
- Bonita conversa, resmungou uma voz grave e pesada por detrás do Poeta.
- Quem falou? Ficaste rouca, Olhos de Sol?
- Oh! Oh! Oh! Sorriu gravemente a mesma voz; não, não é a tua amiga, sou eu o Carvalho grande. Nem deste por mim, que sou vinte vezes maior que tu?
- Peço desculpa, disse respeitosamente a flor, não tive tempo de te apresentar o nosso avô.
- Muito prazer, disse embaraçado o Poeta. Afinal este jardim não é tão pequeno como eu pensava, tem o Mundo cá dentro.
- Essa agora não percebi, disseram em coro as plantas.
- Bem sorriu o poeta, o que eu quis dizer...
- O que quiseste dizer, foi que a poesia é viva aqui, não é? - grasnou o Gilberto que corria para ali.
- Muito bem,disse o poeta,que intelegência,como te chamas?
- Gilberto,pato bravo,manso de coração.
- Tens coração?
- Não me chamo Rufino,respondeu indignado.
- Que sensibilidade,todos vós estais assim cientes do que sois?
- Temos tarefas difinidas,sabes? Aqui no jardim,contribuímos uns para os outros,sem presisar de outro governo que o Sol e a Chuva,aNoite e o Dia,às estações do ano. O que queremos é a felecidade do mundo,porque é assim que aprendemos a ser felizes. Felizmente ninguém quer ser Rufino entre nós ,porque só tem valor o que cada um dá, e nenhum, o que se faz em prejuízo dos outros.
- Bravo,aplaudiu o Carvalho, belo discurso esse, saído das tuas penas,de dentro delas.
- Mas enquanto estamos nós aqui muito palradores, estão as nossas amigas aflitas do outro lado, olhem como a bola as estraga. E o pardalinho a fugir.
- O poeta que tinha estado com muita atenção à conversa, levantou-se e disse:
- Eu vou tratar de pôr aquele na ordem.
- Como vais fazer?
- Assim não queremos , disseram todos.
- Talvez, uma estalada?
- Idiota,disse o Gilberto. Nós não queremos que o trates mal, como ele nos faz. Nós queremos o Rufino nosso amigo.
- Então?
- Então, dizemos nós . És tu poeta ...
- Digam lá então?
- O que queremos é que vires toda a energia e alegria do Rufino a favor do Mundo, que lhes digas que nós tambem temos coração.
- Como estou longe da minha poesia, murmurou para si o poeta, com um olhar tão triste que comoveu toda aquela vida que ali se encontrava.
- Se te encontras tão triste, é porque agora te dás conta da tua pobreza, disse o Carvalho, mas olha - continuou - nunca é tarde para começar. Repara que às vezes, é depois de uma flor secar, que crescem outras ainda mais bonitas, e afinal a poesia é um sonho que pode não ser tão real como nós queremos. No entanto é verdade a poesia, ou não estás a falar com a gente?
- Sim, sim - disse Olhos de Sol - tu és bom. Vamos é agora é resolver o que está mal, porque me cheira que amanhã vou abrir mais feliz as minhas pétalas.
- Totalmente de acordo - rosnou doce a Lóló - amanhã vai ser muito melhor, talvez até agora aceite casar com o Xavier, o gato que mora ali em frente.
- Peneiras, grasnou o Gilberto, peneiras, e afastou-se dando ao rabinho, vaidoso de tão branco que era.
- Não lhe liguem, disse o Carvalho, agora és tu Poeta.
- Fale avô, que quer que eu faça?
- Bem, nada como o mestre Mocho para te explicar. Vou mandar alguém chamá-lo. Naquele instante passou a borboleta Conchinha, muito apressada para o almoço, e enquanto se afastava ía dizendo:
- Eu acordo-o, ainda me sobra um minutinho se eu for mais a direito.
- Obrigado querida - disse Olhos de Sol.
O Poeta sentou-se de novo. Pegou no papel e na caneta. Depois olhou para o jardim todo, sorriu à flor amarela, e começou a escrever:Encontrei num pedaço de mundo
riqueza tão grandiosa
que se chama Natureza
perfeição harmoniosa.
A Flor que tinha aprendido a ler nos bocados de papéis que voavam pelo jardim, espreitou de soslaio aquela quadra, e disse-lhe:
- Desculpa, mas achas essa quadra gira?
- E tu, minha flor malandrinha, tinhas de espreitar o que estou a fazer?
- Não, mas como ouvi dizer que para os amigos não há segredos ...
- Bem, eu tambem acho, mas a verdade é que ainda estava a trabalhar nisto.
- Ora, eu quando faço as coisas, tenho de fazer logo à primeira, e bem.
- Pois - comentou o Carvalho - é nisso que os homens são felizes. Têm dois poderes dados por Deus: - serem livres de modificar as coisas, e inteligência para saber usar esse poder.
- Então olha que o usam muito mal - comentou o mocho que entretanto chegara.
- Tens razão, professor - disse o corvo André que tinha vindo com ele.
- Bem, afinal porque é que me acordaram?
- Queria que conhecesses o poeta, ele está disposto a transformar o Rufino.
- Ainda bem. Mas digo-te, não é facil. No entanto estou cá a pensar que poderemos confiar em ti. O problema do Rufino é falta de poesia. Achas que lhe podes dar da tua?
- Claro, a que for preciso.
- Mas tem de ser ele a aceitar - disse gravemente o mestre Mocho, e acrescentou
- ele não sabe falar connosco, tens de ensiná-lo.
- Bem, vou pôr-me a caminho, até breve.
II - O POETA E O RUFINO
Rufino lá estava, olhos muito azuis, cabelo solto côr de avelã, faces estougueadas da correria. Saltava por tudo o que era sítio, com a bola ora nas mãos, ora nos pés, não dando importância onde ela fosse cair, se na cabeça da avó que se enganava a contar as malhas, se no cesto que vinha da praça. Rufino queria era saltar. De repente parou. Olhava muito interessado para o cimo de uma àrvore, depois agachou-se, e pé ante pé correu para debaixo dela, retirando do bolso uma fisga. Um pouco mais, e lá iria outro passarinho.
O Poeta chegou perto dele, mas não se lhe dirigiu de imediato. Parou, pôs as mãos atrás das costas - como era seu hábito - e olhou profundamente para o miudo. Era lindo o rapaz, e no entanto aos olhos daquelas flores, era o diabo em pessoa.
- Que pena não nos entendermos todos ... murmurou o poeta, olhos rasos de àgua. Ele olhou para o jardim, para os miudos e depois pôs-se a pensar: Aquele rapazinho tão perfeito e cheio de energia de um lado; Uma Natureza que não fala uma língua, mas diz tanta coisa que nós precisávamos de entender, do outro
- Tenho de o fazer entender aquilo que Olhos de Sol me disse - disse o poeta, emocionado.
O Poeta dirigiu-se devagar ao Rufino. Quando mais uma vez chutava a bola, nem de propósito... foi têr de encontro aos pés do poeta. Ele pegou na bola com as duas mãos, e bateu-a de encontro ao chão várias vezes.
- Passa, passa, dá cá!
O poeta calado, ouvia-o sem lhe prestar atenção.
- Eh pá! a bola é minha - gritava já o Rufino.
- Eu sei
- Então porque é que não m'a dás - gritava o Rufino, chamando a atenção de quem passava.
- Porque quero falar contigo.
- Comigo? Eu não o conheço. É polícia?
- Não, sou poeta.
- Ah! O que é ser poeta?
- É... ser poeta, amar as coisas boas e belas.
- Então eu também sou poeta, disse sorrindo o Rufino, e explicou - eu gosto de tudo o que é bom.
- Não me parece. Tenho de te explicar o que é amar uma coisa. Tu não sabes, pois não?
- Sei sim senhor.
- Então como é?
- Como gosto da minha mamã, por exemplo.
- Muito bem, que rapaz esperto. Afinal parecia que tudo se iria resolver em bem.
- Vá. Agora dá-me a bola, quero ir jogar.
- Rufino, os poetas são bem educados.
- Mas quem lhe disse o meu nome?
- Foi a flor amarela lá de baixo.
- Quem?
- A flor amarela, chama-se Olhos de Sol, nunca falaste com ela?
- Com uma flor?
- Decididamente, és poeta ou não?
- Sei lá, estás a baralhar-me e a gozar comigo. Vá, dá-me a bola...
- Pois é. Tu não podes ser poeta.
- Porquê, só os crescidos é que podem ser? - interessou-se de novo o miudo.
- Não, podias ser já, mas para isso tens de amar as coisas bonitas, assim como fazes com a tua mãe.
- Mas eu gosto das coisas boas...
- Olha lá - sorriu o poeta - gostas deste jardim?
- Se gosto, venho para cá todos os dias. Quando chove fico tão triste.
- E já reparaste que quando há sol,e tu vens para cá, fica tanta gente triste?
- Como? ...
- O jardim fica triste. Depois o poeta calou-se. Ficou a olhar o Rufino com muito amor, quase com as palavras na boca para um poema. Lembrou-se da conversa com aquela Natureza viva. Tudo era mais fácil se se dava amor a tudo o que se fazia. Como ele teria agido mal contra aquela criança, se aquele jardim não lhe falasse.
- Ouve lá senhor, tu falas com as flores?
- Falo, disse o poeta admirado com a pergunta, entendendo-a.
- O que é que elas te disseram de mim?
- Que tu as aleijas, não as respeitas e julgas que podes fazer o que queres.
- Mentira, gritou o Rufino.
- Rufino, pensa bem - disse o poeta meigamente - não vale a pena mentir.
- Eu não lhes faço mal, a bola é que salta para cima delas.
- E os pássaros que matas?
- Esses são para o lanche.
- Não tens coração, eles também gostam de viver, de lanchar, e ainda por cima não precisas desses lanches.
- Olha bem para mim, Rufino. Se eu que sou maior que tu, te quisesse lanchar?
- Rufino deu um salto para trás e disse: - Mas eu sou... uma pessoa
- E eles são pássaros e flores - atalhou o poeta.
- Até podes ter razão, mas nunca tinha pensado nisso.
- Que pena não nos entendermos todos ... murmurou o poeta, olhos rasos de àgua. Ele olhou para o jardim, para os miudos e depois pôs-se a pensar: Aquele rapazinho tão perfeito e cheio de energia de um lado; Uma Natureza que não fala uma língua, mas diz tanta coisa que nós precisávamos de entender, do outro
- Tenho de o fazer entender aquilo que Olhos de Sol me disse - disse o poeta, emocionado.
O Poeta dirigiu-se devagar ao Rufino. Quando mais uma vez chutava a bola, nem de propósito... foi têr de encontro aos pés do poeta. Ele pegou na bola com as duas mãos, e bateu-a de encontro ao chão várias vezes.
- Passa, passa, dá cá!
O poeta calado, ouvia-o sem lhe prestar atenção.
- Eh pá! a bola é minha - gritava já o Rufino.
- Eu sei
- Então porque é que não m'a dás - gritava o Rufino, chamando a atenção de quem passava.
- Porque quero falar contigo.
- Comigo? Eu não o conheço. É polícia?
- Não, sou poeta.
- Ah! O que é ser poeta?
- É... ser poeta, amar as coisas boas e belas.
- Então eu também sou poeta, disse sorrindo o Rufino, e explicou - eu gosto de tudo o que é bom.
- Não me parece. Tenho de te explicar o que é amar uma coisa. Tu não sabes, pois não?
- Sei sim senhor.
- Então como é?
- Como gosto da minha mamã, por exemplo.
- Muito bem, que rapaz esperto. Afinal parecia que tudo se iria resolver em bem.
- Vá. Agora dá-me a bola, quero ir jogar.
- Rufino, os poetas são bem educados.
- Mas quem lhe disse o meu nome?
- Foi a flor amarela lá de baixo.
- Quem?
- A flor amarela, chama-se Olhos de Sol, nunca falaste com ela?
- Com uma flor?
- Decididamente, és poeta ou não?
- Sei lá, estás a baralhar-me e a gozar comigo. Vá, dá-me a bola...
- Pois é. Tu não podes ser poeta.
- Porquê, só os crescidos é que podem ser? - interessou-se de novo o miudo.
- Não, podias ser já, mas para isso tens de amar as coisas bonitas, assim como fazes com a tua mãe.
- Mas eu gosto das coisas boas...
- Olha lá - sorriu o poeta - gostas deste jardim?
- Se gosto, venho para cá todos os dias. Quando chove fico tão triste.
- E já reparaste que quando há sol,e tu vens para cá, fica tanta gente triste?
- Como? ...
- O jardim fica triste. Depois o poeta calou-se. Ficou a olhar o Rufino com muito amor, quase com as palavras na boca para um poema. Lembrou-se da conversa com aquela Natureza viva. Tudo era mais fácil se se dava amor a tudo o que se fazia. Como ele teria agido mal contra aquela criança, se aquele jardim não lhe falasse.
- Ouve lá senhor, tu falas com as flores?
- Falo, disse o poeta admirado com a pergunta, entendendo-a.
- O que é que elas te disseram de mim?
- Que tu as aleijas, não as respeitas e julgas que podes fazer o que queres.
- Mentira, gritou o Rufino.
- Rufino, pensa bem - disse o poeta meigamente - não vale a pena mentir.
- Eu não lhes faço mal, a bola é que salta para cima delas.
- E os pássaros que matas?
- Esses são para o lanche.
- Não tens coração, eles também gostam de viver, de lanchar, e ainda por cima não precisas desses lanches.
- Olha bem para mim, Rufino. Se eu que sou maior que tu, te quisesse lanchar?
- Rufino deu um salto para trás e disse: - Mas eu sou... uma pessoa
- E eles são pássaros e flores - atalhou o poeta.
- Até podes ter razão, mas nunca tinha pensado nisso.
Rufino continuava intrigadíssimo com a história do poeta. Como se poderia falar com as pessoas? Flores... Então perguntou outra vez?
- Poeta, eu posso falar com as flores? Ouvi-las?
- A verdade, é que cada um pode falar com elas, assim como quando gostamos de alguém e não é preciso falar, para entendermos o que nos querem dizer, basta um olhar, um sorriso. O que é importante é o que cada ser tem para nos dizer.
- Eu, se tu quisesses, ía falar com eles...
- E... o que é que lhes queres dizer?
- Não sei ainda bem, mas acho que é para lhes pedir desculpa de ter sido mau para eles e para os outros. Agora não há mais fisgas, e a bola de futebol só no campo.
- Então, vem daí amiguinho, nem sabes quanto todos vão ficar felizes. E muita atenção ao que te disserem.
- Ao quê?
- Espera já vais ouvir.
III - O REENCONTRO
A florzinha amarela tremia mais que as primas canas, quando dançavam ao sabor do vento. O Carvalho estava gravemente calado, o Gilberto com um ar de falsete escondido atrás do avô, cada um à sua maneira, via o Rufino aproximar-se, tal e qual a mesma energia de sempre, só que desta vez o poeta vinha a seu lado .
- Será que o poeta conseguiu?
- Tenho a certeza, disse Olhos de Sol, esticando curiosa as suas pétalas.
- Se fosse a ti esperava - disse o Gilberto. Ainda quero ver isto pior. Vocês confiam em humanos. Cá para mim, nada de misturas.
- Estás com muito medo. Que se passa?
- Sim - disse o corvo André - o Gilberto está pior que eles.
- Não percebo - grasnou o pato - afinal parece que se esqueceram do que passámos.
- Não, nós nunca esquecemos o que nos fazem, mas queremos ser felizes. E nada como sabermos da nossa missão e fazer tudo para realizá-la. Tu Gilberto, és como eles; tudo queres sacrificar ao teu bem estar, mesmo a felicidade dos outros.
- Não sei se me convences. Avô, o que eu sei, é que estes ultimos tempos foram demais. ao sei se consigo encarar aquele malcriado; se ele não nos quer enganar.
- Ninguém nos vai enganar - disse a Lóló - vamos confiar no poeta, ele é bom e corajoso.
- Alto aí, nada de te intrometeres no meu romance - disse Olhos de Sol.
- Que é isso - sorriu o Carvalho - ciúmes?
- Não, mas... esta história é de nós dois e tem de continuar.
- Descansa, que eu já tenho noivo, ciumenta - ripostou a Lóló escandalizada.
- Além disso - disse o Mestre Mocho - esta história é de todos.
- Bem, bem. Isto são os nervos, vamos lá a acalmar que vem aí o Rufino e o poeta.
O Poeta aproximou-se, fez uma vénia, e depois disse em voz alta:
- Aqui está o Rufino.
Ninguém tinha coragem de responder.
- Afinal estás a enganar-me, desabafou Rufino assustado, eles não falam connosco.
- Já as olhastes? Percebes com os teus olhos? Repara no que cada uma tem de bonito dentro dela...
- é preciso isso tudo?
- É...
Rufino começou então a olhar à sua volta. Parecia-lhe impossível como nunca tinha visto assim as coisas. Estavam lindas as flores, todas elas tinham um perfume diferente, e de tons tão bonitos como nunca vira. Nem a Tia Tucha que toda a gente admirava, se vestia assim tão bem. Depois olhou o Carvalho, lembrou-lhe o Avô que estava em casa, forte e alto, abraçava-o com uma só mão. Reparou que num galho um rouxinol cantava e dançava, e pela primeira vezdesde há muito tempo, não levou a mão à fisga, mas juntando-as, sentou-se no chão, ouvindo.
Esteve asim um grande bocado, depois levantou-se, despediu-se de todos e foi
ter com a avó para regressar a casa. Eram horas de ir.
- Adeus poeta, tenho de ir.
- E então, falaste com eles?
- Muito. A flor amarela é muito simpática, e o Sr. Carvalho é muito boa àrvore, e sabes, como é presidente do jardim, nomeou-me para uma missão.
- Qual?
- Ser poeta aqui do jardim. Mostrar a todos os meninos que venham aqui, o que tu me mostraste a mim.
- Que bom, vais aceitar?
- Claro. Agora até já sei melhor o que é gostar.
- O que é?
- É trocar o que gostamos, pelo que aprendemos a gostar com os outros; a deixar-nos de nós, como as sementinhas que morrem, para dar flores ainda mais lindas. Acho que aprendi poeta, acho que já sei amar melhor.
- Aprendeste muito hoje, agora vê se não te esqueces.
Depois o poeta sorriu-lhe, fez-lhe uma festa cheia de amor, e deixou-o ir, correndo para a avó, muito feliz. O poeta então, sentou-se, piscou o olho à sua Olhos de Sol e deixou-se ficar embevecido, escrevendo um poema lindo a falar de amor.
F I M
- Poeta, eu posso falar com as flores? Ouvi-las?
- A verdade, é que cada um pode falar com elas, assim como quando gostamos de alguém e não é preciso falar, para entendermos o que nos querem dizer, basta um olhar, um sorriso. O que é importante é o que cada ser tem para nos dizer.
- Eu, se tu quisesses, ía falar com eles...
- E... o que é que lhes queres dizer?
- Não sei ainda bem, mas acho que é para lhes pedir desculpa de ter sido mau para eles e para os outros. Agora não há mais fisgas, e a bola de futebol só no campo.
- Então, vem daí amiguinho, nem sabes quanto todos vão ficar felizes. E muita atenção ao que te disserem.
- Ao quê?
- Espera já vais ouvir.
III - O REENCONTRO
A florzinha amarela tremia mais que as primas canas, quando dançavam ao sabor do vento. O Carvalho estava gravemente calado, o Gilberto com um ar de falsete escondido atrás do avô, cada um à sua maneira, via o Rufino aproximar-se, tal e qual a mesma energia de sempre, só que desta vez o poeta vinha a seu lado .
- Será que o poeta conseguiu?
- Tenho a certeza, disse Olhos de Sol, esticando curiosa as suas pétalas.
- Se fosse a ti esperava - disse o Gilberto. Ainda quero ver isto pior. Vocês confiam em humanos. Cá para mim, nada de misturas.
- Estás com muito medo. Que se passa?
- Sim - disse o corvo André - o Gilberto está pior que eles.
- Não percebo - grasnou o pato - afinal parece que se esqueceram do que passámos.
- Não, nós nunca esquecemos o que nos fazem, mas queremos ser felizes. E nada como sabermos da nossa missão e fazer tudo para realizá-la. Tu Gilberto, és como eles; tudo queres sacrificar ao teu bem estar, mesmo a felicidade dos outros.
- Não sei se me convences. Avô, o que eu sei, é que estes ultimos tempos foram demais. ao sei se consigo encarar aquele malcriado; se ele não nos quer enganar.
- Ninguém nos vai enganar - disse a Lóló - vamos confiar no poeta, ele é bom e corajoso.
- Alto aí, nada de te intrometeres no meu romance - disse Olhos de Sol.
- Que é isso - sorriu o Carvalho - ciúmes?
- Não, mas... esta história é de nós dois e tem de continuar.
- Descansa, que eu já tenho noivo, ciumenta - ripostou a Lóló escandalizada.
- Além disso - disse o Mestre Mocho - esta história é de todos.
- Bem, bem. Isto são os nervos, vamos lá a acalmar que vem aí o Rufino e o poeta.
O Poeta aproximou-se, fez uma vénia, e depois disse em voz alta:
- Aqui está o Rufino.
Ninguém tinha coragem de responder.
- Afinal estás a enganar-me, desabafou Rufino assustado, eles não falam connosco.
- Já as olhastes? Percebes com os teus olhos? Repara no que cada uma tem de bonito dentro dela...
- é preciso isso tudo?
- É...
Rufino começou então a olhar à sua volta. Parecia-lhe impossível como nunca tinha visto assim as coisas. Estavam lindas as flores, todas elas tinham um perfume diferente, e de tons tão bonitos como nunca vira. Nem a Tia Tucha que toda a gente admirava, se vestia assim tão bem. Depois olhou o Carvalho, lembrou-lhe o Avô que estava em casa, forte e alto, abraçava-o com uma só mão. Reparou que num galho um rouxinol cantava e dançava, e pela primeira vezdesde há muito tempo, não levou a mão à fisga, mas juntando-as, sentou-se no chão, ouvindo.
Esteve asim um grande bocado, depois levantou-se, despediu-se de todos e foi
ter com a avó para regressar a casa. Eram horas de ir.
- Adeus poeta, tenho de ir.
- E então, falaste com eles?
- Muito. A flor amarela é muito simpática, e o Sr. Carvalho é muito boa àrvore, e sabes, como é presidente do jardim, nomeou-me para uma missão.
- Qual?
- Ser poeta aqui do jardim. Mostrar a todos os meninos que venham aqui, o que tu me mostraste a mim.
- Que bom, vais aceitar?
- Claro. Agora até já sei melhor o que é gostar.
- O que é?
- É trocar o que gostamos, pelo que aprendemos a gostar com os outros; a deixar-nos de nós, como as sementinhas que morrem, para dar flores ainda mais lindas. Acho que aprendi poeta, acho que já sei amar melhor.
- Aprendeste muito hoje, agora vê se não te esqueces.
Depois o poeta sorriu-lhe, fez-lhe uma festa cheia de amor, e deixou-o ir, correndo para a avó, muito feliz. O poeta então, sentou-se, piscou o olho à sua Olhos de Sol e deixou-se ficar embevecido, escrevendo um poema lindo a falar de amor.
F I M
Parti contigo
Onde estás?
Tudo ficou num beijo
gravado nas palavras que partiram.
Eu te amo – disse-te.
O teu olhar inundou-se
Nem eu sei de que lágrimas.
vi-te a partir
e parti contigo,
e indo, contigo abandonei o destino
e apenas fui.
Deixaste as promessas
Que os cais ouviram mil vezes,
Cheias de voltas e voltas.
Depois entreguei-me
Na passagem dos dias
Incomensuráveis
Longos
Estúpidos.
Agarro-me às memórias,
O medo da ausência tange a noite
e expulsa-me de ti.
E no entanto espero
com a esperança cega dos amantes
Fiéis,
Dos que sabem o que trocaram
E disseram e amaram.
E mesmo sabendo que não estás,
Repouso nos teus olhos,
E sei que um dia virás.
Tudo ficou num beijo
gravado nas palavras que partiram.
Eu te amo – disse-te.
O teu olhar inundou-se
Nem eu sei de que lágrimas.
vi-te a partir
e parti contigo,
e indo, contigo abandonei o destino
e apenas fui.
Deixaste as promessas
Que os cais ouviram mil vezes,
Cheias de voltas e voltas.
Depois entreguei-me
Na passagem dos dias
Incomensuráveis
Longos
Estúpidos.
Agarro-me às memórias,
O medo da ausência tange a noite
e expulsa-me de ti.
E no entanto espero
com a esperança cega dos amantes
Fiéis,
Dos que sabem o que trocaram
E disseram e amaram.
E mesmo sabendo que não estás,
Repouso nos teus olhos,
E sei que um dia virás.
irmãs da mesma mãe
num coração ou numa alma
nasce sempre qualquer coisa
que o tempo não explica.
gestos, sentimentos, sensações
são novas nas paixões que nunca
se reinventam; - nascem.
e nas mortes aprazadas das rotinas,
dos amores que morrem queimados
por paixões novas que incendeiam,
e de tudo o que o caos
gera,
nasce a grande causa de tudo – tu meu amor.
e tu és tudo o que eu quero
por onde respiro e me alimento
e rio
e choro
e desespero…
e espero,
porque a esperança mata o desespero
quando é a ti que eu quero.
e o que quero e sonho
são irmãs da mesma mãe.
nasce sempre qualquer coisa
que o tempo não explica.
gestos, sentimentos, sensações
são novas nas paixões que nunca
se reinventam; - nascem.
e nas mortes aprazadas das rotinas,
dos amores que morrem queimados
por paixões novas que incendeiam,
e de tudo o que o caos
gera,
nasce a grande causa de tudo – tu meu amor.
e tu és tudo o que eu quero
por onde respiro e me alimento
e rio
e choro
e desespero…
e espero,
porque a esperança mata o desespero
quando é a ti que eu quero.
e o que quero e sonho
são irmãs da mesma mãe.
Levantem-se as palavras
Levantem-se as palavras
do desejo,
cascata colorida de dor e comoção
de risos e lampejos
do amor que há.
Entrego-me no poema,
com as mãos frias
desejando-te no teu calor
de amante
na tua ternura de mulher.
Há faróis e lampiões
iluminados,
há poemas ditos e reditos
na tristeza das sombras
e há a loucura da solidão,
esse infinito e misterioso
beijo
que morre na espera
vendo um barco partindo,
partindo com ele o amor
partindo tu tambem.
Como este poema
sem dono
sem ninguem,
as palavras indo com o vento
as lágrimas entregando-se
ao sol
que quando voltar
trar-me-á invísivel
na sombra que não vês.
do desejo,
cascata colorida de dor e comoção
de risos e lampejos
do amor que há.
Entrego-me no poema,
com as mãos frias
desejando-te no teu calor
de amante
na tua ternura de mulher.
Há faróis e lampiões
iluminados,
há poemas ditos e reditos
na tristeza das sombras
e há a loucura da solidão,
esse infinito e misterioso
beijo
que morre na espera
vendo um barco partindo,
partindo com ele o amor
partindo tu tambem.
Como este poema
sem dono
sem ninguem,
as palavras indo com o vento
as lágrimas entregando-se
ao sol
que quando voltar
trar-me-á invísivel
na sombra que não vês.
Subscrever:
Mensagens (Atom)